A lição dos pássaros

Autor: José Belchior Monteiro Junior

Fazer o que gosta ou gostar do que faz? Um dos dilemas recorrentes na carreira profissional é o questionamento a respeito do que sentimos no trabalho. Em diversas fases da vida nos vemos diante das perguntas: Eu gostaria de fazer isto ?  Gostaria de fazer outra coisa diferente do que estou fazendo ? Queria estar em outro lugar ? Queria trabalhar com outras pessoas?

Era um final de semana para relaxar. Desses que a gente planeja e torce para que nada atrapalhe. Acordei no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves. Olhei o relógio e decidi levantar. Como estaria o dia ? Abri as cortinas do quarto alto no hotel e vi diante de mim uma paisagem deslumbrante de videiras em verdes colinas e um céu azul impecável. Contemplando com calma este presente, vi um punhado de pequenos pássaros voando freneticamente minha frente. Pareciam estar se divertindo muito. Foi quando refleti: se os pássaros gostam de voar, então eles devem ser muito felizes. Afinal, voar é a atividade principal deles. Precisam voar para viver. Aqueles ali na minha frente, davam a impressão que estavam adorando voar de um lado para o outro e para cima e para baixo.

O ser humano precisa se definir por esta ou aquela atividade ainda muito cedo. Qual é a sua vocação? Quais são os seus talentos? O que você gosta de fazer? Tomada a decisão, muitas vezes revista após dados os primeiros passos, a formação requer grande esforço. Nesta fase o questionamento vem da INCERTEZA. Em paralelo ou na conclusão deste processo, começa a busca da realização profissional, invariavelmente guiada por modelos de sucesso. Muitas vezes não é possível trabalhar no entorno da carreira desejada, então uma atividade de sustentação é abraçada enquanto a jornada continua. A justificativa é fazer algo ‘por enquanto ‘, ou ‘até que…’. Nesta fase o questionamento vem da COMPARAÇÃO. A insatisfação com o resultado leva à tentação de mudar de atividade, que dispara necessidade de aprendizagem, reiniciando o ciclo com a INCERTEZA.

Há algumas coisas que eu quero dizer para você, que são resultantes da minha observação de muitas vidas, que passaram por minha responsabilidade e por que não dizer da minha própria experiência.

Sucesso tem modelos, felicidade não tem. Sucesso é reconhecido pelos outros. Felicidade é sentida por você. A vida é medida no tempo, então não faça ‘algo por enquanto ‘. Não há como recuperar o ‘enquanto ‘. Todos nós somos equipados para uma gama de atividades.  Aprender a gostar do que fazemos é uma decisão importante, para não desperdiçar a vida. Permita-se descobrir o encanto do que faz, o sentido do seu trabalho e poderá experimentar a felicidade profissional, ou compreender claramente para onde deve dirigir seus esforços. Assim você diminui a INCERTEZA e elimina a COMPARAÇÃO. Eventualmente esta combinação pode aumentar de tal forma o seu resultado, que você venha a se tornar um modelo de sucesso.

Se você é líder, então além de cuidar destes aspectos para si próprio, deve dedicar parte substancial da sua atenção às pessoas, para que elas compreendam o sentido do que fazem e tenham oportunidade de exercitar as suas várias habilidades. Seja um orientador da felicidade profissional. Alguns sucessos ocorrerão, como efeito colateral desejado.

Se você de repente passar a ser sentir leve como um pássaro no seu ambiente de trabalho é porque está voando na direção certa.

Sobre o autor:

José Belchior Monteiro Junior tem mais de trinta anos de experiência na liderança de equipes e projetos. É graduado pela Academia Militar das Agulhas Negras, pós graduado em Tecnologia da Informação pela Universidade Católica de Pernambuco e MBA em Arquitetura de Soluções pela FIAP. Atualmente é superintendente no Itaú Unibanco.

 

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