Eu fiz sem pensar

Colunista: Heloísa CapelasVocê é do tipo que “não leva desaforo para casa” ou costuma “engolir seco” para não falar mais do que deveria em situações limites? Com que frequência e em quais situações você age de uma ou de outra forma? Agora, a pergunta chave: por que é que você age assim?

Os comportamentos compulsivos são comuns a muita gente, mas, sem consciência sobre eles, a maioria acaba sofrendo consequências desastrosas sem sequer entender o porquê. Hoje, quero conversar contigo a respeito desse assunto.

A expressão “comportamentos compulsivos” pode parecer um pouquinho complicada, mas garanto que você vai entender do que estou falando – mesmo porque, todos nós, em maior ou menor escala, tendemos a apresentar algum tipo de compulsividade. Aliás, decidi abordar esse tema justamente por isso: embora sejam comuns à maioria das pessoas, os comportamentos compulsivos muitas vezes passam despercebidos

Eles são repetidos a exaustão e nas mais diversas situações, sem que a gente se dê conta. E podem estar tão, mas tão presentes no nosso dia a dia que algumas pessoas até diriam se tratar da nossa personalidade – “olha, o Fulano é ótimo, mas ninguém pode pisar no calo dele” ou “a Beltrana é maravilhosa, tem tanta paciência com tudo”.

Em suma, as ações e atitudes que a gente realiza sem perceber são as que chamo de compulsivas. Nós as aprendemos há muitooo tempo e chegamos à fase adulta com cada uma delas profundamente instaladas. O problema é que, se não temos consciência dessas ações, como podemos saber se nos trazem resultados positivos? Digo mais: como podemos estar certos de que, a partir delas, obtemos o melhor resultado que poderíamos?

Veja que, por nosso aprendizado infantil, acreditamos que aquela forma de ser e agir é a única que nos cabe. Se somos preguiçosos, agitados, autoritários, passivos, entre tantos outros ‘rótulos’ possíveis, temos sido assim por qual razão? Em que resultam esses comportamentos? Queremos modificá-los?

Você e o outro

Os comportamentos compulsivos costumam impactar diretamente as nossas relações com as pessoas. São elas, aliás, que mais nos indicam nossas compulsividades e chegam, inclusive, a nos revelar as consequências disso. Porém, tendemos a estar tão cegos a esse modo de ser inconsciente que ignoramos não apenas os efeitos que produzem em nossas vidas como também no relacionamento com o mundo ao nosso redor.

Em situações de conflito, por exemplo, a compulsividade pode ser tamanha a ponto de culparmos ao outro: se ele(a) não tivesse feito, dito, agido de determinada forma, nós também não teríamos feito, dito ou reagido da forma como fizemos. Este impasse tende a ser frustrante para ambas as pessoas envolvidas. Para mim, porque eu ignoro o que fiz – gritei, magoei, fui inconveniente ou autoritário(a) sem me dar conta. Para ele(a), porque foi magoado(a), insultado(a) e, em suma, invalidado(a) por mim (ou vice-versa).

Por isso, proponho sempre: saiamos do piloto automático e da nossa zona de conforto. Temos de olhar para nós mesmos de forma que seja possível enxergar nossas ações bem como as suas consequências a partir de outro ponto de vista, mais sincero, mais verdadeiro e mais condizente com o que somos de fato – não com a ideia pronta que temos daquilo que somos. Quando conquistamos consciência de que uma determinada situação sempre nos faz “perder a cabeça”, por exemplo, a chance de lidarmos com isso de forma diferente, mais positiva e menos frustrante, cresce consideravelmente.

Pratique esse exercício. Enxergue-se sem culpa. Identifique quais são as suas reações automáticas, seus comportamentos compulsivos, as atitudes que toma sem nem perceber ou pensar. Veja o impacto disso em sua trajetória. Uma vez que o inconsciente se tornar consciente para você, terá a chance de assumir as rédeas da sua vida para decidir: quero continuar nesse caminho ou tentarei de uma forma diferente?

Heloísa Capelas é palestrante especializada em temas como Autoconhecimento, Liderança, Relacionamentos e Inteligência Comportamental. Há cerca de 30 anos atua com desenvolvimento humano e aplica cursos com a metodologia Hoffman, considerada por Harvard um dos trabalhos mais eficazes de mudança de paradigmas. Conferencista nacional e internacional, é autora do livro “O Mapa da Felicidade” e coautora de mais seis livros sobre Gestão de Pessoas, Coaching e Inteligência feminina. Diretora do Centro Hoffman, é Coach, Master Practitioner em PNL, Pós-Graduada em RH e Graduada em Assistência Social. Para falar com a especialista, escreva para heloisa@centrohoffman.com.br. Visite também: www.centrohoffman.com.br e www.heloisacapelas.com.br

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