Relações que levam à improdutividade

Problemas de relacionamentos figuram entre as principais causas de resultados negativos para as empresas

Colunista: Heloísa Capelas“Meu chefe não se preocupa com o desenvolvimento da equipe, centraliza as decisões e despreza o know-how de outros profissionais. Além disso, é arrogante e não sabe como motivar sua equipe”. Esses e diversos outros desabafos sobre as dificuldades encontradas no ambiente corporativo são comuns no mundo virtual. Basta uma simples busca para verificar, no entanto, que todas essas queixas revelam um mesmo problema.

O fato é que a má qualidade das relações figura entre as principais causas de resultados negativos das equipes. Segundo uma pesquisa da consultoria global Proudfoot Consulting, divulgada pouco tempo atrás, os altos índices de improdutividade no Brasil são comumente associados à falta de comunicação das altas hierarquias com suas equipes. Essa é apenas uma amostra de que muitos líderes estão desconectados de seus times.

Já atendi muitos profissionais debilitados emocionalmente pela má relação com o chefe. Gostam do que fazem, estão satisfeitos com a profissão, mas não suportam continuar naquele mesmo ambiente de trabalho. Em suas falas, repetem algo como: “o chefe é mal-humorado, agressivo, injusto”.

Somam-se aos problemas de relacionamento questões como a redução do quadro de funcionários e a cobrança por mais agilidade. As insatisfações só crescem e, com elas, as situações de estresse que levam à menor produtividade. Os profissionais tendem a ficar mais submissos e dependentes frente às deficiências da liderança. Muitos chefes estão também perdidos no comando e têm de dar conta de equipes e resultados a qualquer custo. Mas, afinal, o que é possível fazer para melhorar essa situação tão comum?

Lado interno da liderança

Muitos líderes podem até dispor de técnicas externas, mas não se apropriam do grande diferencial que pode mudar tudo isso e que está, na verdade, dentro de cada um. É só com a autenticidade consciente e equilibrada das atitudes que as ações podem se tornar muito mais eficazes, produzindo menos desgaste e proporcionando expertise para engajar e motivar pessoas. É por isso que defendo a necessidade de se despertar o Lado Interno da Liderança.

Não se trata de uma postura romântica e utópica. Muito pelo contrário. A importância desse posicionamento é, hoje, reconhecida por uma das mais renomadas escolas de formação de líderes no mundo, a Universidade Harvard. Há quatro anos, a instituição implantou um programa que tem como pilar o desenvolvimento das Competências Emocionais, chamado “Caminho da Liderança”, que visa trabalhar o ‘lado interno dos líderes’.

A postura de Harvard só vem embasar a relevância em se desenvolver a competência emocional. Gestores que lideram apenas com a cabeça e o ego não são líderes. Necessitamos integrar intelectualidade com o coração.

Pensemos, por exemplo, na importância da empatia. Significa entrar no lugar do outro para considerar o que ele está ‘sentindo’ e não apenas ‘dizendo’. Mas, para que isso se realize, é necessário que, antes, o líder conheça e administre seus próprios sentimentos. Caso contrário, a interpretação tenderá a ser sempre distorcida. Quando o líder não sabe se autoavaliar tende a atribuir as falhas ao liderado.

Portanto, é urgente aos líderes que despertem o poder do seu lado interno, movendo equipes para que o mundo se torne um lugar melhor para se viver. Melhorar a comunicação consigo mesmo, certamente, ajudará a quem deseja desenvolver lideranças mais positivas.

Heloísa Capelas é expert no desenvolvimento humano por meio do autoconhecimento e da competência emocional. É conferencista, uma das autoras de “Ser Mais Inovador em RH”, Coach, Master Practitioner em PNL e especialista em Psicodinâmica Aplicada aos Negócios. Ministra a metodologia Hoffman no Brasil, é sócio-fundadora do Centro Hoffman e diretora da Hoffman Internacional. Para falar com a especialista, escreva para heloisa@centrohoffman.com.br. Visite também: www.heloisacapelas.com.br e www.centrohoffman.com.br.

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