A geração WhatsApp e seus efeitos

Nos últimos anos, o envio de mensagens de textos e símbolos multiplicou-se por ser uma forma rápida e prática de mandar um recado, usando pouquíssimos caracteres.

Mensagens de texto são consequência de uma sociedade que imprime grande velocidade para todas as tarefas que executamos. As mensagens são enviadas de forma rápida e sem complicação. Elas não consomem tempo de quem os envia nem de quem as recebe.

É surreal imaginar que no século passado, uma simples correspondência demorava meses para chegar ao destinatário, atrasando qualquer tomada de decisão. Com os suportes digitais, o intercâmbio é instantâneo e facilita obtermos de feedback imediato dos acontecimentos.

Uma das características mais marcantes das mensagens do WhatsApp é a abreviação de palavras. Na ansiedade de mandar um texto, “você” é substituído por “vc”, “aqui” vira “aki” e “hoje” se transforma em “hj”.

É comum o redator de torpedos ignorar completamente os acentos das palavras; termos como “já”, “está” e “olá” são grafados como “ja”, “ta” e “ola”, desprezando as normas ortográficas.

Para os preguiçosos, os torpedos são uma “mão na roda” porque funcionam como atalhos simplificados das ideias que são transmitidas.

Uma geração inteira está aprendendo a escrever por meio desses caracteres. Estão familiarizados com as fragmentações que caracterizam as linguagens digitais e vão – pouco a pouco – se condicionando a escrever somente textos abreviados.

O problema é que – familiarizados somente com a linguagem do Whats – essa “galera” não se mostra capaz de lidar com textos mais complexos, que exigem vocabulário, articulação de linguagem e competência para ordenar frases e parágrafos em uma sequência lógica.

A experiência tem mostrado que a “geração whats” tem dificuldade de redigir e-mails, relatórios e monografias, documentos que exigem introdução, desenvolvimento e conclusão de ideias.

Nem sempre a abreviação das palavras dá conta de fatos complicados que precisam ter sentido e elaboração. Os textos são práticos, mas complicam a vida de quem precisa explicar as coisas com mais clareza. Fim da mensagem.

A mensagem depende do mensageiro

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