Profissionais maduros: etarismo e mercado de trabalho

Confira os números que representam os profissionais idosos e maduros no mercado de trabalho, conheça caminhos para a inclusão e para deter o etarismo.

Uma grande transformação do século 21 é sobre como a gente se prepara para uma longevidade de vida para a qual não estávamos preparados antes.

Hoje no Brasil, os idosos (a partir de 60 anos) são mais de 29 milhões, segundo o IBGE. E quando ampliamos para aqueles que estão em fase de envelhescência, temos 25% de toda a população com mais de 50 anos de idade. Esses números são resultados do processo de envelhecimento dos brasileiros que motiva a discussão sobre os desafios enfrentados por eles em diversos aspectos, como nas relações familiares, saúde pública, previdência e, claro, na sociedade e mercado de trabalho.

A verdade é que cada vez mais vamos ter pessoas maduras. A expectativa de vida atual é de 76 anos e estima-se que em 2060 o país tenha mais pessoas idosas do que jovens, como indicou a pesquisa do IBGE que está representada no gráfico abaixo. E em meio a esta transformação, precisamos de adaptações culturais, inclusivas e digitais para que a sociedade acompanhe essa movimentação. As adaptações devem partir de todos e alcançar todos: empresas, governos, população, ensino, oferta de serviços e produtos.

Maduros no mercado de trabalho

Dentre os pilares que mais apresentam desconexão com as necessidades da terceira idade, está o mercado de trabalho. Apesar do crescimento da conscientização dentro das organizações e dos programas que nasceram para incluir pessoas maduras e idosas em seus quadros de colaboradores, ainda é possível constatar em números que há desafios a serem superados para que verdadeira inclusão etária aconteça – o que é bastante alarmante, visto que muitas pessoas na ‘melhor idade’ se veem na necessidade de buscar um emprego para a complementação de renda familiar, para cuidados de saúde, qualidade de vida, ter fonte de renda (para quem não tem uma aposentadoria) ou ainda para suprir o desejo de exercer uma função na sociedade e dar sentido emocional à vida. Um levantamento da Relação Anual de Informações Sociais mostrou que as pessoas idosas que trabalham no regime CLT aumentou 43% entre 2013 e 2017, passando de 484 mil para 649,4 mil – motivado pelo envelhecimento da população e das necessidades de sobrevivência.

Outra pesquisa, agora do PNAD, indicou que o desemprego neste grupo também cresceu consideravelmente, saindo de 18,5% em 2013 para 40,3% em 2018, refletindo a escassez generalizada de oportunidades de trabalho, o estigma imputado àqueles que avançam para a velhice e a disparidade na qualificação profissional entre jovens e idosos, principalmente em relação à digitalização dos negócios e dos trabalhos.

Ainda sobre a ausência de profissionais +50 nas empresas, uma pesquisa da Aging Free Fair em parceria com a FGV EAESP destacou o despreparo das organizações para receberem esses funcionários, de acordo com os RH’s das empresas consultadas. Como consequência, o GPTW Brasil de 2018 mostrou que mesmo entre as melhores empresas para se trabalhar no país, a inclusão etária não chegou aos patamares ideais, diante de apenas 3% de profissionais idosos nas 150 empresas melhores avaliadas.

Etarismo no mercado de trabalho: maduros, idosos e o preconceito

Como observado, os números deixam claro que há uma lacuna a ser preenchida pelos profissionais maduros nas empresas e mercado de trabalho. E um dos grandes responsáveis para esse cenário é daqueles mais complicados de ser neutralizado: o preconceito.

A barreira atitudinal é ainda o grande desafio para boa parte dos problemas sociais que envolvem o preconceito. E quando falamos da discriminação etária é complexo traçar caminhos que modifiquem a mentalidade coletiva sobre o poder de contribuição das pessoas idosas.

No lado das empresas, é emergencial que existam esforços para a conscientização sobre o tema, gerando abertura para a discussão, mostrando casos de sucesso e, principalmente, incluindo e integrando esses profissionais. É importante estabelecer programas e iniciativas que estimulem a contratação específica deste grupo, assim como o suporte e desenvolvimento dessas carreiras e o aprimoramento da cultura para que a diversidade seja valorizada genuinamente por todos os funcionários e, assim, haja espírito de colaboração e respeito.

Há ideias que precisam ser difundidas para contemplar essas mudanças. É importante esclarecer que os maduros não são melhores nem piores que o jovens, e sim grupos complementares para o desempenho das atividades do negócio, afinal, somente a diversidade pode oferecer visões plurais de um mesmo assunto. Com times diversos, os negócios ganham a possibilidade de pensar seus produtos e serviços além dos vieses inconscientes, deixando de lado estereotipações e preconceitos.

Por que incluir profissionais maduros no mercado de trabalho

Diante da diversidade de times que incluem as pessoas com mais de 50 anos, os negócios vão ser beneficiados em diversos aspectos. O Datafolha apurou em 2017 que as características dos profissionais idosos são valores muito positivos. Eles são considerados mais tolerantes, carinhosos, cuidadosos, responsáveis, educados e atenciosos, éticos.
A comparação se dá com a chamada Geração Z, que apesar do grande potencial de produtividade e inovação, buscam mudanças e renovações constantes na carreira, fazendo que a rotatividade dos jovens seja muito mais alta nas empresas pelas quais passam, fazendo com que os recursos humanos de recrutamento, treinamento e integração sejam prejudicados. Assim, os profissionais maduros podem contar com a vantagem de serem mais fiéis e comprometidos com as empresas.

Para que os 50+ sejam valorizados no mercado corporativo brasileiro, é essencial entender que cada faixa etária tem suas virtudes e decorrências. Então será requerido aos líderes e empregadores que façam a gestão de possíveis conflitos intergeracionais, analisem o grupo de trabalho e cuidem das práticas e educação.

Dicas para aumentar a empregabilidade após os 50

As demandas profissionais já não são as mesmas de anos e décadas atrás. Com as modificações no modo de trabalhar, no foco em inovação e na digitalização dos negócios, surgiu uma grande busca por profissionais com capacidades técnicas e comportamentais para lidar com as novidades.

Portanto, se você é um profissional com mais de 50 anos que busca competir de igual pra igual e sente que está por fora das novidades tecnológicas e metodologias atuais, busque se qualificar e ambientar. Você não precisa ser nenhum expert em aparelhos digitais, softwares e conceitos tão novos que ainda são pouco conhecidos. Mas buscar conhecer as práticas mais comuns e as atualidades da sua profissão é fundamental, além de buscar estar antenado ao segmento que a empresa que você atua ou quer passar a trabalhar.

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