Design Thinking: o pensar além da caixa

 

Design ThinkingO Design Thinking vem sendo a solução para muitas empresas na hora de acertar produtos, serviços e problemas institucionais. Sua finalidade é trazer para dentro das companhias um diálogo sobre processos que terá ligação direta com o sucesso do negócio.

O designer de um produto deseja que o receptor encontre aplicabilidade com a forma daquele objeto, já o thinker participa também deste processo, porém, vai além da funcionalidade: ele é um especialista que transcende pensamentos comuns e atua como facilitador de ideias, diálogos, processos, serviços e produtos com foco em resultados tangíveis e fidelização de clientes.

O principal objetivo é incorporar um olhar centrado nas pessoas obtendo, assim, uma abordagem empática, colaborativa e experimental, com as melhores soluções projetadas para um único objetivo: criar experiências marcantes, que sejam desejáveis para as pessoas e ótimas para o negócio.

A utilização do design como ferramenta de pensamento iniciou-se em 1969 com o livro The Science of the Artificial, de Herbert A. Simon, segundo Fernanda Cabral, líder do movimento Imagina na Copa, o design também leva a investir em uma análise mais profunda do problema de uma empresa, o que torna a parte de execução da ideia muito mais assertiva. “Acho que o design expande a empresa para além dos seus limites físicos de espaço e pessoas, e traz mais gente para participar de seu processo criativo. Essa abertura é fundamental para a melhoria da experiência do cliente com a empresa e, por consequência, seu resultado final”, afirma Fernanda.

Características e ferramentas de Design Thinking

De acordo com Luis Alt, sócio-fundador da live|work, companhia que trabalha para a inovação de serviços para grandes empresas de todo o mundo, do setor público e do terceiro setor, uma característica do design thinking é poder aplicá-lo em qualquer desafio interno ou externo em empresas públicas ou privadas.

“A única premissa básica é entender as pessoas para as quais está sendo projetado algo (assim como aquelas que serão responsáveis por programar e entregar o resultado a esses clientes), colocar pessoas afetadas e que tenham conhecimento sobre o desafio ou algo a agregar no processo para colaborar, entendendo e desenvolvendo melhor o problema, e testar as soluções conforme elas forem aparecendo, evitando assim, lançar produtos ou serviços no mercado com erros que facilmente poderiam ser corrigidos sem expor a marca e, evitando também, prejuízos”, explica Alt.

Podemos dizer que o design thinking utiliza ferramentas da antropologia para alcançar as respostas de inúmeros questionamentos, aplicando pesquisas de campo, entrevistas com público alvo, estudos do comportamento de um determinado grupo, entre outras analises. Estas ferramentas fazem parte da imersão do especialista ao assunto em questão e, também, ao desafio proposto por uma empresa. Após este processo, ocorrerá a análise dos dados para a construção de um cenário propício ao que a marca quer alcançar com o projeto.

“Um projeto que gosto bastante de citar foi o que fizemos em uma cidade ao norte da Inglaterra, Sunderland, para auxiliar pessoas de volta ao mercado de trabalho. Além de reduzir o índice de desemprego, conseguimos reduzir o custo da cidade em manter uma pessoa desempregada com assistências de 62 mil libras anuais para cinco mil”, enfatiza Luis Alt.

O processo de construção da solução chama-se idealização do produto, solução ou serviço, ele só poderá ser colocado em prática quando todas as informações e possíveis possibilidades estiverem compartilhadas com a equipe e, assim, culminará na prototipação da ideia, ou seja, quando a solução ganhará forma.

Casos de sucesso

Para Fernanda Cabral, as empresas estão enriquecendo seus times com profissionais que agregam nesse aspecto ao montar times multidisciplinares, com profissionais de diferentes formações. “As companhias enriquecem também ao trazer para serem gestores de projetos, profissionais que tem uma boa capacidade de investigação e conexão com os clientes, que têm um pensamento estratégico e executor e transitam entre esses extremos do macro, que é a empresa e o desafio que se quer solucionar, e o micro, que é a solução que se está desenhando”, enfatiza Fernanda.

Um exemplo do “pensar além da caixa” é o projeto Imagina na Copa liderado por Fernanda: “O projeto busca promover e facilitar a atuação de jovens em iniciativas transformadoras, por todo o Brasil.  Começa com um movimento em que buscamos transformar o pessimismo e descrença em relação ao evento e o futuro próximo do Brasil, em otimismo e vontade de se organizar para fazer a sua parte. Vamos usar a Copa como um prazo para uma força-tarefa, representando um marco para a atuação desses jovens.

O design faz naturalmente parte do projeto, não só por utilizar vários métodos e ferramentas na condução das oficinas, mas principalmente por ajudar a estruturar o projeto e suas entregas. “Todas as atividades promovidas pelo Imagina na Copa foram desenvolvidas juntamente com jovens e respondem a necessidades que eles dividiram com a gente para romper barreiras existentes hoje e, assim, ter uma atuação ainda mais transformadora”, ressalta a líder do projeto.

No Brasil, apesar da popularização do termo, o design thinking vem colaborando na mudança de posicionamento de grandes marcas. Um exemplo é a Whirlpool do Brasil que teve a live|work como parceira fundamental neste processo. A empresa de Alt ajudou a organização na melhoria da compreensão e disseminação do seu processo global de inovação. A Whirlpool administra marcas de prestígio em diversos setores da economia brasileira, incluindo marcas do setor de luxo, como a KitchenAid, no premium como Brastemp e as mais populares como a Consul.

A live|work desenvolveu para a Whirlpool do Brasil um workshop baseado na jornada do consumidor, que permitiu que os líderes da organização discutissem novas perspectivas de inovação a partir da compreensão de como vivem e trabalham os clientes das mais diversas marcas administradas pela corporação.

“O principal impacto do Design Thinking é fazer com que as organizações comecem e conduzam toda e qualquer iniciativa colocando as pessoas no centro do processo. O que abre espaço para muitas oportunidades escondidas, redução de custos e retorno no investimento. Além disso, gosto de ver como conseguimos gerar conversas entre áreas que não costumam se falar para tomar decisões”, finaliza Luis Alt.

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