Engenheiro agrimensor; fundamental do início ao fim de qualquer obra

Daniel Limas

Que o Brasil é um país de grandes dimensões e que ainda precisa de muita infra-estrutura para crescer ninguém duvida, não é? Outro fato, é que quem trabalha nessa área dificilmente encontrará dificuldade para conseguir um emprego. Mesmo com o mercado desaquecido, a procura por vagas neste setor ainda é, e será boa por vários anos. E uma das profissões que mais se destacam nessa área é o engenheiro agrimensor.

Com amplas possibilidades de trabalho, esse profissional encontra espaço tanto no campo quanto na cidade. Tanto em grandes, médias e pequenas empresas quanto nos governos e em suas várias instâncias. Isso, sem falar na possibilidade de poder atuar como autônomo ou em consultorias, que é um espaço em franco crescimento. Um detalhe é que o engenheiro agrimensor atua sempre em parceria com as outras especialidades da engenharia e até mesmo com a arquitetura. Recentemente, o controle ambiental, a segurança do trabalho, a tecnologia e até questões legais passaram a fazer parte do trabalho deste profissional.

O engenheiro agrimensor é bastante valorizado e procurado e você já vai entender o porquê. Nenhuma construção permanece em pé por muito tempo se o solo não for estudado e preparado para receber a construção, por melhor que seja a estrutura. E tanto o estudo quanto a preparação são feitos por este profissional. É ele também que orienta a utilização do solo para os mais variados fins, ou seja, a engenharia de agrimensura é a base de todo o trabalho dos engenheiros de outras áreas. “Eu digo que o engenheiro agrimensor é o primeiro a entrar numa obra e o último a sair, quando o jardim for entregue. E como o Brasil é novo e de grandes dimensões, há muito o que fazer e refazer”, explica Antonio Moacir Rodrigues Nogueira, diretor-geral da Faculdade de Engenharia e Agrimensura de Pirassununga (FEAP) e coordenador do curso.

Uma mostra de como o mercado está aquecido é o constante anúncio de recursos dos governos federal, estadual e municipal destinados a infra-estrutura. Por exemplo, somente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê investimentos entre 2007 e 2010 de R$ 503,9 bilhões em infra-estrutura. Fora as outras notícias que lemos diariamente sobre habitação, crescimento do mercado de mineração, ampliação das usinas de álcool e açúcar, ampliação da rede de eletricidade, esgoto, gás, manutenção, construção e duplicação de estradas e linhas férreas. Isso sem falar na construção de pontes, projetos de irrigação e drenagem, usinas hidrelétricas e barragens.

Na área rural, o engenheiro agrimensor, em parceria com o engenheiro agrônomo, pode trabalhar em projetos de irrigação, drenagem, e reflorestamento. Pode também definir áreas de plantio, medir índices pluviométricos e de vazão de rios e córregos, incluindo sistemas de drenagem e saneamento básico. Nas cidades, um exemplo prático da importância desta área da engenharia ocorreu em Santa Catarina, no final de 2008, com as grandes enchentes. Quem explica é Antonio Moacir: “Na cidade de Brusque, foi feito todo um trabalho de estudo do solo. E, por meio dele, o prefeito priorizou obras que determinassem o caminho que as águas deveriam fazer para escoar. Isso evitou prejuízos ainda maiores. Outras obras importantes foram feitas também em São Paulo, com os piscinões e a ampliação da calha do Rio Tietê.”

Mais recentemente, a profissão ganhou outras atribuições: trabalhar próximo ao Direito. “Desde 2005, no governo do Fernando Henrique Cardoso, passamos também a trabalhar no campo jurídico. Por exemplo, não precisamos mais de um advogado para retificar uma área ou um lote. É só fazer o estudo e ir ao cartório. E isso aumentou ainda mais nosso campo de trabalho”, conta Antonio Moacir. Litígio de divisas, desapropriações, inventários e documentação são outros exemplos de questões que podem ser tratadas pelo engenheiro agrimensor.

Outras duas áreas do conhecimento também foram agregadas às atividades deste profissional, recentemente: o controle ambiental e a segurança do trabalho. Hoje em dia, não adianta construir uma rodovia, uma barragem ou mesmo um prédio e esquecer das questões ambientais. “É fundamental que o profissional tenha conhecimentos de toda a legislação que trata das questões fundiárias e do meio ambiente, como os códigos florestal e das águas”, explica Reinaldo José Sabadotto, presidente da Federação Nacional dos Engenheiros Agrimensores. Já com relação à segurança do trabalho, Antonio Moacir lembra que essa questão cabe em várias outras áreas: engenharia, arquitetura e agronomia. “Até mesmo por questão de lei, esse trabalho é cada vez mais requisitado. Temos que eliminar os acidentes de trabalho. Uma máquina em lugar ou terreno errado pode matar muita gente.”

Por todos estes motivos, o mercado de engenharia de agrimensura está crescendo, mas há falta de profissionais. “O número de engenheiros é muito pequeno para o tamanho do Brasil. Como em outras áreas, o mercado em São Paulo é mais concorrido, mas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil existem poucos profissionais. Por exemplo, eu preciso de um técnico para trabalhar comigo, mas desisti de procurar. Estou formando um!”, alerta Antonio Moacir.

Um conhecimento que vem se tornado fundamental para os engenheiros agrimensores é a tecnologia. Antigamente, usava-se a trena, entre outras ferramentas. Hoje, quase todas são informatizadas, e assim, como os computadores, surgem novas tecnologias, o que obrigam que os profissionais estejam buscando constante atualização. “Destaco o GPS de alta precisão e as Estações Totais, que são medidores eletrônicos que armazenam dados automaticamente na memória”, comenta Reinaldo.

Mesmo diante de todo esse potencial, infelizmente ainda há falta de engenheiros agrimensores no país. Por outro lado, essa carência é boa para quem busca uma formação e se identificou com esta profissão. E olha que a agrimensura é uma profissão muita antiga. “Há conhecimento na história que ela tenha se iniciado no antigo Egito, no tempo dos faraós, para medições e divisões das áreas férteis do Rio Nilo”, lembra Reinaldo.

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