Timidez: enfrente-a e comunique-se!

Colunista: Reinaldo PassadoriPara realizar uma comunicação fluída e eficaz é importante considerar alguns fatores como a naturalidade, objetividade, a organização do pensamento e a linguagem. Para muitas pessoas, desenvolvê-los, pode ser uma verdadeira barreira devido à timidez e por esta razão, abrem mão de grandes oportunidades, enquanto os que a enfrentam, evidentemente conseguem comunicar- se com segurança.

Em minha opinião, a superação da timidez depende da vontade de encarar o problema, pois, existem pessoas que inconscientemente, não desejam fazê-lo e como fuga ou justificativa, a utilizam para se esconderem.

A definição de timidez é segundo o psicólogo social Philip G. Zimbardo, “a sensação de desconforto causada pela expectativa de possíveis consequências negativas nas relações pessoais.” As causas da timidez são muitas, desde a falta de experiência ou experiências mal sucedidas ao longo da vida, como medo de não ser aceito ou aprovado, excessiva autocrítica, até resíduos de uma educação muito autoritária ou castradora ou, ao contrário, superprotetora. As consequências são várias e dentre as apontadas por Zimbardo, três afetam diretamente a comunicação:

  • Dificuldade para conhecer novas pessoas, fazer amigos ou se divertir com experiências que poderiam ser agradáveis;
  • Dificuldade de falar sobre seus direitos e de expressar suas opiniões e valores;
  • Bloqueio para pensar de maneira clara e comunicar-se efetivamente.


O psicólogo afirma que a timidez pode ser superada independentemente de suas consequências negativas e intensidade.  Acredito que realmente muitas pessoas escondem-se na timidez e nas dificuldades em encará-la, entretanto, a maioria tem verdadeira vontade de vencê-la. Por esta razão, a vontade é a ferramenta mais poderosa do ser humano e no caso da timidez, isso vale especialmente para quem se propõe a ocupar posições que exijam liderança e comunicação.

Os tímidos, que realmente desejam sair dos bastidores, devem lembrar em primeiro lugar, dos seres humanos que são com seus potenciais e características próprias e que aceitá-las é sinal de um processo de superação.

É frequente não perceber a própria baixa autoestima, embora vários sinais possam fazer o alarme soar. Um dos mais comuns é começar a aceitar tudo o que é imposto ou sugerido apenas para agradar aos outros, assim como viver insatisfeito, desmotivado e se comparando.

Valorize-se e preserve sua essência! A baixa autoestima gera desânimo, desesperança e pode levar à depressão. Na carreira, suas consequências mais evidentes são a falta de assertividade e as dificuldades de comunicação e de relacionamento.  Por este motivo, entendo que uma das razões para que a autoestima entre em queda, sem dúvida, é viver mais para o mundo exterior e se pautar mais pela vida alheia do que por si e para si.

Um exemplo clássico é o da pessoa que se sacrifica para comprar  ‘’o carro do ano’’ com a única finalidade de demonstrar aos outros que está obtendo sucesso na vida.  A compra torna-se uma questão de vida ou morte, quando deveria ser apenas uma meta. Outro exemplo é o indivíduo que passa o tempo todo se atualizando com tudo o que ocorre à sua volta e se desatualiza de si. Ora, nos dois casos, há o distanciamento dos valores e das aspirações mais conscientes de seu eu, porque em algum momento os indivíduos pararam de se enxergar e de buscar sua essência. Começaram, inconscientemente, a se ‘’des-gostar’’, colocando em risco seu desempenho social, profissional e emocional.

Quando deixamos de exercitar a comunicação intrapessoal, bloqueamos o importantíssimo processo de autoconscientização. Esse bloqueio geralmente ocorre quando evitamos reconhecer nossos sentimentos negativos, que fazem parte de nossa natureza, como a inveja, a ira, a culpa e outros. Evidentemente, encará-los não é muito confortável, mas, é um exercício que pode nos ajudar a buscar ou a resgatar nossa autoestima.

É neste caminho de aceitação que devemos nos amar incondicionalmente, ou seja, só a partir do amor próprio podemos estabelecer mudanças e avançar. Para refletir a respeito, gosto da frase de Carl Jung, psiquiatra suíço, contemporâneo de Freud e criador da Psicologia Analítica que dizia:

“Nada podemos mudar enquanto não nos aceitarmos. Lembre-se: condenações não libertam, mas aprisionam.”

*Reinaldo Passadori – Professor e CEO do Instituto Passadori, especialista em Desenvolvimento Humano e Comunicação Verbal. É autor dos livros: “Comunicação Essencial – Estratégias Eficazes para Encantar seus Ouvintes” – “As 7 Dimensões da Comunicação Verbal” – e “Media Training” – Comunicação Eficaz com a imprensa e a Sociedade – Editora Gente; “Quem não Comunica não Lidera”, da editora Atlas.

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