Que líder queremos ter?

Quando estudava em colégio de freiras, muitas delas  moravam no próprio colégio. Duas delas se destacavam pelas suas atitudes bem diferentes: uma era bem sisuda e brava, chamava-se Irmã Dina. A outra falava manso sempre com uma voz doce, quase que cantarolava as palavras, a chamavam de irmã Gilda. Quando eu as conheci, elas já tinham em torno de 65 anos.

Irmã Gilda dava aulas de catequese, sempre com um rosto afável e já há mais de 40 anos ensinava reciclagem. Ela pedia para que a gente juntasse os alumínios que envolvia nossos lanches para que ela vendesse para ajudar na casa de repouso que cuidava das irmãs velhinhas sem familiares. Ela, inclusive, pedia para que trouxéssemos de casa panelas, jarros ou qualquer coisa de alumínio sem utilidade para o mesmo fim.

Irmã Gilda, como todas as irmãs da congregação de Nossa Senhora de Sion, usava sua túnicas habituais (vestimenta completa, como aquelas do filme “Troca de Hábito”),parecia uma santa, como tantas estátuas que vemos nas igrejas.
Ela também instituiu a “cesta da troca”, era uma cesta de vime que ela ensinava às crianças que se não gostassem do lanche trazido de casa, que não jogasse no lixo, e sim colocasse nesta cesta, pois assim outro aluno que estava com fome pudesse comê-lo.

O engraçado era que quando ela precisava dar uma bronca na gente, ela dizia tudo o que precisava ser dito! Sua língua era afiada e direta para explicar nossas faltas. Mas era feito com um carinho tão grande que só restava à gente se autopunir e cumprir com suas ordens!

Já Irmã Dina era o oposto da Irmã Gilda, sempre sisuda e com voz sempre imponente, usava um apito para chamar atenção dos alunos que estavam fazendo algo errado.
Irmã Dina era um sargentão, antes de entrarmos nas salas ela subia numa cadeira apoiada por dois alunos um de cada lado, se apoiava nos ombros dos dois alunos e subia na cadeira. Fazia isso para monitorar melhor as filas dos alunos.

Ela fazia-nos rezar todas as manhãs, antes de irmos às salas de aula.
Ela dizia que gostava mais dos meninos, pois estes não tinham manhas como as meninas.

Era ela que monitorava o recreio! Ralhava quando as brincadeiras excediam os bons costumes… Ou então puxava nosso cabelo, quando achava que estava grande demais…

E muitas vezes apitava os jogos de futebol! Isso mesmo Imagine uma freira de 1,50m toda de habito apitando jogo de futebol?!

Fora que ela apitava o que ela queria!.. Faltas onde não haviam, gols anulados, pois às vezes, ela não tinha visto a bola entrar e por aí vai!

MAS… O interessante é que a gente a adorava… A amava!!

Não sei explicar, mas mesmo ela dando altas broncas em “marmanjos” de 16 anos, com 1,80(sim, ela ficava no recreio dos pequenos e no intervalo dos maiores também!), estes baixavam a cabeça com uma vontade enorme de rir, mas respeitava as ordens da Irmã Dina.

Nunca vi esta Irmã descer uma escada ou subir uma rampa sem ter ao seu lado pelo menos dois garotos acompanhando seu caminhar!

Quantas vezes vi esta Irmã estatelada no chão da quadra por causa de uma bolada e os DOIS TIMES INTEIROS auxiliando-a!! Uns correndo para buscar água… Outros buscando uma cadeira… Outros levantando-a e arrumando e limpando seu hábito!

Só de lembrar fico com os olhos marejados de saudades…
Quanto carinho… Quanta atenção dávamos a estas duas LIDERES.
Duas formas de gestão!
Duas formas de conduzir sua equipe
Uma acolhedora e doce…
Outra ríspida e autoritária!
Mas as duas focavam nosso bem!
Focavam a nossa educação!
E a gente sentia isso e respeitava as duas com cada célula do nosso corpo!
Independente do seu tipo de gestão olhe para seu funcionário, lidere pensando no futuro dele!
Pode ter certeza que ele vai sentir uma grande diferença entre um líder frio que só pensa nos resultados da empresa e num líder que te vê de uma maneira global…
Hoje acordei pela manhã lembrando que tinha sonhado com duas Irmãs… Que vocês agora também conhecem um pouco de sua história!
Talvez o arquétipo da Grande Mãe, talvez os complexos maternos agindo em mim pela proximidade dos dias das mães…

Onde está a informação que você precisa?

4R’s ou pão-durisse?!

Será que temos ética?