Sua carreira não existe sem negócios

Colunista: Sílvio CelestinoUm antigo cliente me pediu para que conversasse com um amigo dele que havia perdido o emprego em uma empresa fornecedora da Petrobrás. Engenheiro e executivo, esse amigo havia trabalhado por 25 anos na área de projetos e nunca vira um momento como o atual. Dizia-se surpreso com a crise, pois, na visão dele, petróleo é um produto que não tem problemas de demanda e, portanto, é um porto seguro.

O que me espantou no diálogo foi que, apesar de trabalhar há tanto tempo na área, não acompanhava o ciclo dos preços e da demanda do petróleo no mercado. E não se interessava por negócios. Achava que seu trabalho era apenas entregar os projetos sob sua responsabilidade e que, sem esses projetos, as empresas não seriam capazes de operar.

Sentia-se surpreendido pela crise e totalmente perdido, já que estava havia meses procurando uma recolocação, sem sucesso. Esse fato me fez lembrar do discurso de Rui Campos, em uma convenção da Microtec Sistemas de 1987. Ele era um dos proprietários da empresa, que fabricava computadores. Na época, eu era programador de Assembler e fazia parte da equipe de desenvolvimento. Eu me achava “o cara”, pois, sem meu trabalho, a fábrica parava. Qual não foi minha mais absoluta surpresa, quando Campos abriu os trabalhos dizendo:

–  Aqui na Microtec existem somente duas funções: quem vende e quem ajuda a vender.

Fiquei furioso com aquele discurso, mas nunca mais me esqueci de suas palavras. Com o tempo, saí da área técnica, virei executivo de vendas e, finalmente, empresário. E ainda hoje continuo a lembrar desse discurso. Em momentos de crise, as pessoas dão o devido valor aos homens e às mulheres de negócios. Sem eles, não há necessidade de nenhuma outra função na empresa. Uma companhia que não vende não precisa de presidente, de diretores de RH, financeiro e de TI, enfim, de ninguém. Uma empresa não existe sem vendas.

Portanto, todos nós deveríamos ter um profundo interesse pelos negócios, como eles surgem, como são realizados e porque é tão importante preservá-los. Em geral, as pessoas consideram que a área de vendas é o setor sujo da companhia. Aquele que faz negociatas, como essas que vemos os políticos realizarem com empresas ignóbeis. Enfim, como se fosse um mal necessário.

Nada mais longe da realidade. Fazer negócios, no longo prazo, exige ética, comprometimento e um esforço gigantesco de executivos que, na prática, dormem pouco, trabalham muito e são verdadeiramente preocupados com o resultado de sua profissão. Cada salário na empresa depende do sucesso dessas pessoas. E todos deveriam zelar por elas, para facilitar suas atuações.

Quando um governo aprova uma lei que restringe negócios, os torna mais caros ou mais complexos, mina a raiz que sustenta suas receitas, empregos e renda. Todos nós faríamos um bem enorme ao País se fomentássemos o livre mercado, indivíduos livres e moeda sólida, para o bem dos empregos, da renda e dos negócios. Sem eles, não adianta falar sobre manutenção de empregos e direitos adquiridos, pois foram adquiridos de maneira insustentável.

E pode ter certeza de que quem neste momento mais luta para salvar o País da crise não são os políticos, o setor público nem os acadêmicos. Mas, sim, os empreendedores e negociantes. Portanto, pare de falar mal deles e lute para preservá-los. Se possível, torne-se um deles. Sua prosperidade depende mais dos negócios que de qualquer outro fator.

Vamos em frente!

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