1º de maio: muito além do feriado

Viviane Macedo

Para muitas pessoas, o Dia do Trabalho é mais um feriado, uma oportunidade de descansar da correria do dia-a-dia. Mas o significado desta data vai muito além da oportunidade de folgar. Para que o 1º de Maio fosse um dia especial, centenas de trabalhadores tiveram de sair às ruas e reivindicar seus direitos.

“O Dia do Trabalho é uma referência a um conjunto de manifestações organizadas pelos trabalhadores no final do século XIX em torno da elevação da qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente movidos pelo propósito da redução da jornada de trabalho”, explica o economista Márcio Pochmann.

De lá para cá, muita coisa mudou. As relações de trabalho evoluíram muito e possibilitaram melhores condições aos trabalhadores. No Brasil, não foi diferente: a evolução é uma realidade, porém, ainda não para todos.

“O Brasil vive um quadro de profunda heterogeneidade nas relações de trabalho. Nós temos aqui casos de relações de trabalho equivalentes, e até superiores, a empresas e países avançados. São relações de trabalho do século XXI. Mas, de outro lado, o Brasil ainda reúne relações de trabalho talvez equivalentes às do século XIX, com a presença de trabalho escravo, com a presença de crianças e adolescentes exercendo trabalho, com a presença de pessoas muito idosas ainda trabalhando. Essa heterogeneidade, ao meu modo de ver, está a exigir uma reinvenção do nosso padrão de proteção e regulação do mercado de trabalho”, comenta Pochmann.

A legislação trabalhista é pouco flexível, talvez por isso não consiga abranger a totalidade de trabalhadores. Uma reformulação poderia ser a solução para esse problema.

“O que interessa, efetivamente, é uma abertura constitucional para que muitos outros aspectos das condições de trabalho possam ser negociados. Hoje ainda estamos bastante amarrados por uma legislação detalhista, que impede que as negociações frutifiquem de uma maneira efetiva”, explica o advogado trabalhista e negociador sindical Alencar Rossi

A idéia apresentada pelo advogado Alencar Rossi é a mesma que move a Central Única dos Trabalhadores-CUT a continuar lutando por um cenário ideal.

“A CLT é focada no direito individual do trabalhador, não no direito coletivo dos trabalhadores. Então, a gente entende que o avanço dos direitos coletivos proporciona um papel mais forte, mais firme do sindicalismo como protagonista no mundo do trabalho. E obviamente para nós esse mundo do trabalho mais democratizado significaria não ter discriminação de gênero, não ter discriminação de raça, os trabalhadores serem valorizados, qualificados, terem acesso à educação, à saúde pública. Toda uma complementação em relação às condições de vida da classe trabalhadora que não se referem somente a ter um bom salário, mas sim um conjunto de questões que tornariam mais humano e valorizado o mundo do trabalho”, diz a secretária nacional de organização da CUT, Denise Dau.

Muitas conquistas já foram alcançadas, mas ainda há muito a ser feito para melhorar as condições existentes no mercado. O importante é lembrar que a data é muito simbólica e deve trazer reflexões a empregados e empregadores.O Catho Notícias deseja a todos um feliz Dia do Trabalho!

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