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25/09/2012 - Profissão Ecólogo: grandes possibilidades de atuação

Autor: Samara Teixeira

florzinha okNo intuito de sanar dúvidas sobre algumas profissões e entendermos suas práticas e atuações, conversamos com profissionais da ecologia para entender sobre essa ciência e o seu mercado de trabalho. O ecólogo tem uma preocupação com o meio ambiente sem avaliar os protagonistas e diferentes áreas envolvidas.

A Biologia, a Geografia, Geologia, Engenharia Florestal, por exemplo, possuíam matérias relacionadas ao meio ambiente, mas, sem a preocupação que surgiu com a criação da graduação em Ecologia, onde disciplinas isoladas como Pedologia (estudo dos solos no seu ambiente natural) se unia a outras para análise de um RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), por exemplo. O interesse era de colocar os diferentes assuntos em maior enfoque do que acontecia com as outras graduações.

Disciplinas na área da botânica, zoologia, sociologia se multiplicam, como é o caso da ecologia animal, vegetal e humana. Para analisar o ser humano  também se trabalha com áreas mais específicas como o sensoriamento remoto, análise de imagens, questões urbanas e sociais. Para Alessandra Rodrigues Gomes, presidente da Associação Brasileira de Ecólogos, em conjunto com outros profissionais, o ecólogo aumenta a diversidade e as possibilidades de colaboração ao meio ambiente. “O ecólogo é generalista por natureza e por isso acaba escolhendo uma das áreas para se especializar. No entanto, a visão geral permite que consigamos conversar e entender o jargão de muitas áreas do conhecimento, sem muito esforço”, afirma Rodrigues.

A profissão é voltada, também, para o conhecimento acadêmico e a aplicação desse conhecimento na prática. Assim, alguns ecólogos desenvolvem conhecimento através de pesquisas científicas, seguindo a carreira acadêmica e lecionando. Outros vão para o mercado de trabalho, atuando em empresas, consultorias e ONGs, e existe a possibilidade de vagas em órgãos públicos.

Segundo Flávia Campassi, gerente sênior de programas para a América Latina do Instituto Earthwatch do Brasil, para ser um bom ecólogo é necessário ter um conhecimento profundo em todos os aspectos bióticos e abióticos (todas as influências que os seres vivos possam receber em um ecossistema) e, para isso, é necessário gostar de ler artigos e desenvolver o pensamento científico. Existe uma grande possibilidade de atuação no terceiro setor. “De forma geral as ONGs (organizações não governamentais) estão, cada vez mais, trabalhando conectadas não somente a outros parceiros de outras ONGs, mas, também, ao setor privado, e é neste setor que há maiores possibilidades de crescimento para o ecólogo. Profissionais com conhecimento em outros idiomas e multidisciplinares são sempre necessários”, explica Campassi.

O Ecólogo é um profissional com uma visão ampla, porém, para garantir melhores chances é necessário especializar-se em algo, com Mestrado ou Doutorado, para avançar na profissão. Existem inúmeras possibilidades, como exemplo, a ecologia fisiológica e ecologia de populações e comportamental.

Regulamentação da profissão de Ecólogo

A graduação em ecologia é reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação), porém, a profissão ainda não possui uma regulamentação. O processo de reconhecimento dessa profissão está sendo discutido com o projeto de Mendes Thame (PL 591/03), que foi aprovado pelo Congresso, no entanto, vetado em 2009, pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Na ocasião, Lula argumentou que o projeto não definia a atuação do profissional com exatidão, a classe de ecólogos recorreu e atualmente, segundo a Associação Brasileira de Ecólogos, o prazo de proposição de emendas ao texto do projeto foi encerrado e não houve sugestões de modificação. De acordo com Alessandra, como não há registro em Conselho de Classe, não há como exigir um piso salarial, como engenheiros, arquitetos, jornalistas, médicos, entre outros, que possuem regulamentação para salário.

O salário inicial dependerá muito da área de atuação e do cargo. Em órgãos federais, que possuem contratos de diferentes modalidades (bolsa de capacitação técnica ou científica, salário inicial CLT, contrato como autônomo), as práticas são:

- Recém-graduado: bolsas/salários que variam de 1.800 a 2.500 reais

- Com especialização: bolsas/salários que variam de 2.500 a 4.000 reais

- Com mestrado: bolsas/salários que variam de 3.000 a 6.000 reais

- Com doutorado: bolsas/salários que variam de 4.000 a 10.000 reais

Mercado de Trabalho na área ecológica

Para 2012, existe um grande número de vagas para trabalhos em projetos ligados à ecologia, porém, metade da demanda de profissionais está focada em concursos públicos, ou seja, têm faltado profissionais liberais disponíveis. “O que acontece é que além de trabalhar com a área ambiental, os ecólogos precisam ter noção de administração, contabilidade, estatística e coisas do gênero, para subsidiar outras funções em diferentes projetos. Desta forma, ser muito específico pode dificultar e mesmo tendo escolhido uma área de interesse dentro do imenso campo que é a Ecologia, o profissional precisa estar mais engajado e articulado para outras funções”, explica Alessandra.

“O mercado mineiro está totalmente aquecido”, afirma Mariana Morales, ecóloga da Pau Brasil + Ecologia,ela possui  uma empresa a cinco meses e já tem quatro grandes clientes e as demandas aparecem todos os dias.  “Pelo fato dos órgãos ambientais estarem cada vez mais exigentes com as medidas compensatórias, o trabalho aumentou o volume, acarretando em um aquecimento local”,  afirma Morales.

Existem profissionais com alto padrão de formação e atuando em diferentes postos importantes na área ambiental: instituições do governo, empresas privadas, organizações não governamentais, ou ainda,  como consultores para diferentes instituições. “Acredito que o alto padrão de formação está relacionado ao desempenho e interesse do próprio profissional e não se pode generalizar. A área ambiental, quando bem trabalhada, pode gerar muita renda e, com isso, surgem os profissionais que querem tirar proveito. Então, para cada profissional uma sentença, pois a formação como ecólogo abre muitas possibilidades”, conclui Alessandra Gomes.

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