Mitos sobre profissionais com deficiência

Trabalhadores com deficiência têm qualificação? Podem atuar em qualquer setor ou cargo? Acessibilidade é importante? Como tratar desse assunto sem constranger? Entenda como mitos sobre profissionais com deficiência podem dificultar a inclusão e saiba o que é pura lenda nesse processo.

A contratação de pessoas com deficiência ainda é cercada de dúvidas sobre qual a melhor maneira de promover essa inclusão. Mitos sobre os profissionais com deficiência dificultam a compreensão dos benefícios desse processo para o ambiente de trabalho e, por consequência, para a corporação. Mesmo após a chegada do novo funcionário, os colegas de trabalho podem se sentir inseguros diante dessa novidade. É habitual, principalmente no começo dessa relação, cometer equívocos no tratamento e até nas primeiras avaliações.

Esses trabalhadores têm qualificação? Acessibilidade é o fator mais importante? Essas pessoas podem atuar em qualquer setor, cargo ou liderar equipes? Como eu me comunico com esses funcionários sem ofender ou causar constrangimento?

O ponto mais importante para o sucesso da inclusão é conhecer em profundidade esse universo.

BAIXA QUALIFICAÇÃO OU OFERTA DE VAGAS INCOERENTES?

Catho, i.Social, ABRH Brasil e ABRH São Paulo organizaram um estudo que derrubou o conceito de que pessoas com deficiência são desqualificadas. Essa pesquisa identificou que 57% dos profissionais com deficiência entrevistados têm curso superior completo ou em curso, e muitos estão concluindo mestrado.

A partir desse resultado, foi possível observar o tema ‘qualificação’ surge como parte da estratégia de contratação de pessoas com deficiência apenas no preenchimento da cota, com oferta de posições com baixos salários ou muito inferiores aos objetivos do profissional.

Quem não tem interesse na inclusão ou não acredita nesse processo costuma fazer uma avaliação pelo custo, para cumprir a lei gastando pouco ou o mínimo possível. Essa prática tem reflexo direto nas vagas oferecidas, mais baratas para a empresa, que pagam menos e têm pouca atratividade.

É por esse motivo que o RH mantém contato somente com candidatos menos qualificados, porque acredita que essas pessoas vão aceitar qualquer vaga, mesmo que sejam incoerentes com suas formações e/ou experiências.

É também por essa estratégia que a companhia não se relaciona com pessoas com deficiência que poderiam ocupar posições mais altas.

IGUALDADE NO TRABALHO É A PRIORIDADE

Os pesquisadores fizeram 2.448 entrevistas, em setembro de 2017, com representantes dos três públicos considerados fundamentais para o processo de inclusão (1.091 pessoas com deficiência, 1.240 de profissionais de RH e 117 de líderes de empresas).

Todos foram questionados sobre o que é mais importante para atrair profissionais com deficiência ao emprego. As pessoas com deficiência priorizam salário, plano de carreira e pacote de benefícios, o que pode ser resumido em uma boa oportunidade, algo que qualquer profissional com ou sem deficiência procura.

Profissionais de recursos humanos e altas lideranças das companhias destacaram com prioridade a acessibilidade, o ambiente de trabalho sensibilizado e um programa estruturado de inclusão, mas nenhum citou carreira ou benefícios.

Dessa forma, o mito de que basta um ambiente ser acessível para promover a inclusão também foi desmontado.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA SÃO, ANTES DE TUDO, PESSOAS

Outro mito que permeia esse universo é a sensação (equivocada) de que toda pessoa com deficiência é um ser motivacional por natureza, e que a sua condição a torna mais nobre, forte, destemida, corajosa e esforçada, isso de maneira imediata.

É fundamental destacar que o termo ‘pessoas com deficiência’ não é somente a forma mais acertada de identificar quem convive com restrições de mobilidade, perdas sensoriais ou dificuldades de aprendizado. A nomenclatura deixa claro que são pessoas e, como todos, têm qualidades e defeitos. Essas imperfeições, aliás, são as principais características da condição humana, estamos em eterna evolução.

Sendo assim, quando fazem parte de um ambiente de trabalho e participam de uma equipe, profissionais com deficiência devem ser tratados em condições de igualdade e equivalência, inclusive no momento de avaliar suas potencialidades e fraquezas.

SERES NASCIDOS PARA INSPIRAR?

É também muito comum a infantilização, o tratamento com base em uma avaliação de que a pessoa com deficiência é uma criatura mágica. “Ser uma pessoa com deficiência não faz de você, automaticamente, uma inspiração para a humanidade”, disse a jornalista Stella Young, quando participou, em 2014, da conferência realizada pela TED Foundation.

Ativista, advogada, escritora e comediante, Stella tinha Osteogênese Imperfeita, ou a Síndrome dos Ossos de Vidro, e faleceu no mesmo ano, aos 32 anos, mas deixou uma mensagem fundamental para a ampliação do conhecimento sobre as pessoas com deficiência.

“Essa pode ser a maior mentira sobre pessoas com deficiência”, afirmou Stella em sua palestra (confira aqui o vídeo completo), na qual ela conta como sempre lutou para fugir dos rótulos e viver a vida de maneira plena.

MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL

Trabalhei por quase cinco anos no Sistema Globo de Rádio, contratado na condição de ‘pessoa com deficiência’. Atuei como jornalista e jamais aceitaria outra oferta. Fui repórter, locutor e produtor, minha única experiência com essas características em mais de 23 anos de profissão.

Essa vivência foi fundamental para a meu autoconhecimento, para aceitação das minhas deficiências, que são progressivas e geram cada vez mais dificuldades, essencialmente na mobilidade. E também mostrou como a igualdade e a equivalência são determinantes para o sucesso da inclusão.

Jamais fui questionado sobre minhas habilidades de jornalista por ser um profissional com deficiência, recebia o mesmo salário e os mesmos benefícios de meus colegas, participei das mais variadas coberturas e não houve uma vez sequer na qual minhas deficiências foram colocadas em pauta como barreira para a execução do trabalho.

De maneira geral, foi uma experiência muito positiva, possível principalmente ao derrubar os mitos que permeavam a situação, algo que foi solucionado em conjunto com o setor de RH, os colegas de redação e a chefia.

Essa é a meta, aceitar as deficiências, reconhecer as limitações, mas agir em união para o desenvolvimento do funcionário, da equipe e da companhia.

Está em busca de um novo emprego?

Você sabia que a Catho é gratuita para pessoas com deficiência e reabilitadas pelo INSS?

Todos os profissionais abrangidos pela Lei de Cotas assinam a Catho sem pagar nada. Para garantir seu acesso grátis, você só precisa:

– preencher o formulário de cadastro no site: catho.com.br/pcd

– se identificar como um profissional com deficiência

– anexar o laudo que caracteriza a deficiência ou o certificado de reabilitação no INSS

Após validação da nossa equipe, o seu acesso fica disponível para as mais de 4 mil vagas anunciadas diariamente no site.

Use e espalhe esse benefício para seus amigos, ajude a promover a inclusão.

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*O jornalista Luiz Alexandre Souza Ventura tem 47 anos e comanda, desde 2012, o blog Vencer Limites (www.VencerLimites.com.br), espaço de notícias especializado no universo da pessoa com deficiência, integrado ao portal Estadão (www.estadao.com,br). Em mais de 23 anos de carreira, atuou nas principais redações da grande imprensa brasileira, entre as quais estão Grupo Estado, rádios CBN e Globo, Editora Abril e o jornal A Tribuna (Santos/SP). Apresenta palestras e escreve sobre acessibilidade e inclusão para veículos de comunicação, empresas e instituições públicas e privadas de todos os segmentos.

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