Ser “workaholic” atrapalha o desenvolvimento profissional

Os profissionais hoje se sentem pressionados diante a concorrência no mercado, pois deseja ultrapassar o limite do “entregar resultados” para as empresas, chegando a uma exaustão. Nesse processo, muitos acabam se perdendo e se tornam “workaholics” – termo que se refere às pessoas viciadas em trabalho. Porém, trabalhar além do que é necessário pode trazer consequências negativas para o ser humano.

Segundo pesquisa da representante brasileira da International Stress Management Association – Isma-BR, 47% dos profissionais apresentam algum índice de depressão no mercado de trabalho. Esse número, que corresponde a praticamente metade dos profissionais, é muito preocupante, pois é necessário saber equilibrar a vida profissional com a vida pessoal. O excesso de tarefas ajuda no desenvolvimento de doenças – que podem se manifestar de diversas formas. Mas como identificar se eu trabalho mais do que deveria?

Aparentemente, trabalhar mais do que o necessário, pode trazer mais retorno. Contudo, pode também afetar a saúde emocional e a saúde mental, o que prejudica a sua performance. Se você é o tipo de pessoa que dorme pensando nos afazeres do dia seguinte, que perde o sono porque tem uma agenda cheia ou que não sai do celular preocupado com os assuntos de trabalho nos finais de semana, você pode estar nessa parcela da população, que vira refém e escravo do trabalho. É muito importante, sim, ter responsabilidades e buscar crescer profissionalmente, mas existe uma forma adequada para isso.

Um “workaholic” não necessariamente se sente feliz por trabalhar tantas horas. Inclusive, o termo conhecido internacionalmente está relacionado ao baixo prazer profissional. Ou seja, assim como qualquer vício químico ou sentimental, um viciado em trabalho colherá consequências que podem prejudicar o seu bem-estar, e também impactar negativamente as empresas a longo prazo.

A busca por profissionais que não exagere na carga horária

Pensando pelo lado das corporações, a situação de ter um colaborador “workaholic” não é algo tão vantajoso. Mesmo que no início ele seja visto como um profissional dedicado, que entrega os resultados e atende os clientes de maneira ágil, com o passar do tempo, o profissional ficará cansado, com queda de desempenho. Certamente essa pessoa também terá dificuldades na vida pessoal, já que não terá tempo hábil para conciliar tudo de uma forma saudável. Claro que, em algumas circunstâncias, será necessário ficar mais tempo no trabalho. O que não pode acontecer é deixar que a exceção se torne uma rotina. Tudo é uma questão de equilíbrio.

Se você está precisando fazer hora extra sempre para atingir as metas, provavelmente impostas pela empresa, com certeza algo está errado, pois os resultados devem ser sempre possíveis de serem alcançados durante a jornada de trabalho. Ou seja, as metas da empresa precisam ser revistas, com a sua participação como protagonista, pois você pode estar executando uma função fora do seu perfil ou desconectada de seu propósito. Portanto, o trabalho saudável é aquele que não “amarra” o profissional na empresa, e que estabelece metas possíveis.

O descanso é necessário para o crescimento e o bom rendimento dos membros de uma equipe, que devem estar felizes com o seu propósito profissional. Quando tudo encontra-se alinhado, os resultados surgem de forma natural, com o gasto de tempo de maneira adequada e equilibrada.

Você se identificou com o profissional “workaholic”? Comece hoje a destinar um espaço de sua agenda para compromissos pessoais e que lhe dão prazer. Isso pode ajudar a ter mais equilíbrio emocional, saúde mental e vai proporcionar maior disposição. Busque se conhecer mais, identificando o seu propósito e o caminho para trazer importantes resultados de forma leve. Seja o protagonista de sua vida e carreira. Essa é a jornada dos profissionais do novo mundo do trabalho, do mundo ágil. Assim todos ganham: você, a sua família e a empresa.

 

*Susanne Anjos Andrade é especialista em desenvolvimento humano e autora dos best-sellers “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil” (Editora Gente) e “O Segredo do Sucesso é Ser Humano”, e do livro digital “A Magia da Simplicidade”. É coach, palestrante e professora de cursos de MBA pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP) em disciplinas sobre carreira, coaching, liderança, gestão da mudança e transformação digital. Também é sócia-diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano, empresa que criou o “Modelo Ágil Comportamental”, e parceira da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP).  

susanne@andradebarros.com.br

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