E você, é invisível?

Colunista: Reginah AraújoO que é ser invisível?

Quem em algum momento da vida não se perguntou: “O que estou mesmo fazendo aqui, para que vim, quem são as pessoas que permanecerão comigo até o fim?”.

Hoje, chamei meu filho de 19 anos para conversar e fiz esta pergunta a ele: “Meu filho, você é um ‘ser invisível’?”. Ele me olhou espantado, sem nada entender. Foi então que resolvi escrever este artigo em homenagem a todos aqueles que, na vida, não se permitiram passar despercebidos.

Existem pessoas que são invisíveis somente em casa, não se fazem presentes e nem sequer querem fazer diferença aos seus familiares. Em compensação, com os amigos e funcionários são pessoas agradabilíssimas e sempre têm uma palavra de alento.

Outras ainda vivem como se estivessem numa ilha. Ao seu redor, somente seus familiares, como se o restante das pessoas não existissem ou não precisassem de nada, nem ninguém.

Hoje estava lendo uma reportagem do ano de 2003 escrita por Plínio Delphino –  ele contava como um gari é invisível, dizia que as pessoas passavam por eles sem os enxergar e que o psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Pensei bastante sobre isso e percebo que a invisibilidade não está na roupa, no cargo ou na aparência. Ela está no caráter e na maneira que se enxerga a vida.

Lembremos de outro gari que diz que “a vassoura é o meu passaporte para o mundo”: Renato Sorriso! Uma das perguntas que o gari Renato Luiz F. Lourenço mais ouve é por que ainda não abandonou a sua profissão. Famoso por varrer o Sambódromo carioca com ginga e alegria após cada desfile, Renato Sorriso já teve inúmeras oportunidades – gravou comerciais com Gisele Bundchen e Zeca Pagodinho, participou de novela da Globo, atuou em shows na Europa e vive sendo convidado para dar palestras motivacionais em grandes empresas.

“Por que eu vou largar a vassoura, que me garante uma renda certa todo mês? Não estudei para ser ator”, diz. “Se eu um dia largar a vassoura, vai acabar. Minha vassoura é meu passaporte”, completa.

Símbolo de simpatia e carisma, Renato é a imagem da sabedoria e conhecimento é sempre interrompido por moradores que passam e falam alguma coisa gentil. Renato diz se sentir muito importante por ser responsável por uma área, por uma rua. Ele se fez presente e visível para milhões de pessoas que compartilham da sua filosofia e aprendem com sua alegria.

Jamil Albuquerque, autor do livro “A arte de lidar com pessoas”, diz que ser visível se assemelha a um sacerdócio, que é o ofício sagrado de conduzir pessoas em direção ao eterno. De sacerdócio vem a palavra sacrifício, que quer dizer a parte melhor que temos e oferecemos ao sagrado. Todo o sacrifício, dizia Santo Agostinho, deve ser feito com amor, porque o amor é a solda profunda que nos une ao eterno.

Ser visível é se tornar eterno para alguém, é ser lembrado com carinho, respeito, é ser exemplo para sempre, é sermos referência de bondade e alegria. Será que todos nós poderemos ser visíveis? A resposta é SIM, SIM, SIM.

É realmente uma opção pessoal, é deixarmos algo quando não mais estivermos aqui. Não necessariamente algo grandioso, algo que possa servir como direção a outras pessoas.

Ser visível é ser útil, ser amável, ser feliz independente do que aconteça a sua volta, é ser solicito, é ter palavras de alento num momento de dor, é saber rir das coisas pequenas, é ter uma criança interior que transborda espontaneidade, é ser verdadeiro e ético.

É ter um brilho interior tão grande que reflete a quilômetros. Não tem nada a ver com os anos que você viveu e nem com os quilos que você conquistou. Tem a ver com astral, cores, alegria, atitude. Significa ser firme e, ao mesmo tempo, generoso. Pulso firme e generosidade é a combinação perfeita de um visível. Duro com o problema, generoso com a pessoa.

Ser visível é entender que vencedores são perdedores indignados, que se indignaram com a derrota e resolveram construir algo grande. É não negar a derrota e enfrentá-la com muito orgulho para que outros sintam admiração pela sua vitória em dominar seus medos e aflições.

A negação é uma psicose leve. Mas caso venha a se alastrar para outras áreas, tristeza, a alegria e o medo, podem tornar forte a psicose nos tornando seres invisíveis. Ter coragem não é a ausência do medo e sim agir apesar do medo!Os visíveis são pilotos de sua história não permitindo que invisíveis tomem a direção de sua vida.

Pessoas visíveis precisam de resistência emocional, não negação emocional. Se a pessoa nunca foi testada no seu limite, quando chegar ao limite, ela não saberá o que fazer e poderá fazer a coisa errada.

Ser visível para o outro requer sermos visíveis em primeiro lugar para nós mesmos. E então, meu filho, já sabe me dizer se você é invisível? Foi o que perguntei depois de toda esta conversa.

Fernando me olhou com certo olhar de incredibilidade e me desafiou: – Me faça cinco perguntas diretas para que eu identifique se sou ou não invisível.

Pensei, pensei e finalmente fiz as perguntas certas, no momento exato em que nos seus 19 anos poderia se tornar visível. Perguntas para saber se você é ou não invisível:

1. Para quantas pessoas você se fez importante?
2. Quantas pessoas agradecem a você por algo que lhes tenha feito sem pedir nada em troca?
3. Quais foram as pessoas que você de alguma forma mudou a vida?
4. Quem é a pessoa que se lembra de você e ora silenciosamente pela sua felicidade sem ser seus parentes diretos?
5. Quantas vezes alguém disse a você “obrigado, ninguém mais faria isso por mim”.
6. Quais foram os momentos em que você largou tudo para estar ao lado de alguém que naquele momento precisava de uma palavra amiga?

Meu pai me dizia que para sermos visíveis teríamos que fazer valer a pena nossa existência.

E então, filho, você é visível?

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