Storytelling: Motivação e engajamento de equipes

StorytellingO Storytelling é uma ferramenta muito usada atualmente nas empresas com intuito de criar uma conexão entre os líderes e suas equipes. Apesar de inúmeras definições para o termo, tais como, a habilidade de desenvolver um pensamento lógico e, também, propiciar ao receptor da mensagem um total entendimento da situação exposta, o Storytelling é na verdade a maneira mais antiga de contar histórias.

Por ser um mecanismo natural que ajuda o cérebro a receber, interpretar, processar, compreender e relacionar informações, boas histórias são instrumentos eficazes de persuasão. Sua aplicação tem ganhado cada vez mais espaço nas organizações pelo poder que ele tem, quando bem utilizado, de influenciar, transferir novos conhecimentos e obter cooperação e engajamento.
Para Alexandre Santille, sócio-diretor do LAB SSJ, o Storytelling favorece o entendimento de questões complexas e ajuda a traduzir estratégia em ação. “Isso permite que os profissionais tenham uma ideia mais clara sobre os seus objetivos e os da empresa, o que é essencial para gerar neles identidade e propósito”, afirma Santille.
A narrativa organizacional possui uma função tanto individual como coletiva: de um lado ela serve para fazer com que o indivíduo se sinta parte de uma cultura em que acredita e possa fazer contribuições importantes. Do outro, é uma ferramenta ativa de comunicação e engajamento, capaz de transmitir uma mensagem inspiradora. Por meio das histórias, as lições do passado passam a fazer sentido e as possibilidades futuras se tornam mais claras.
Nas empresas, a ferramenta pode se manifestar de diversas maneiras, por meio de decisões estratégicas, valores, práticas corporativas, maneira de abordar stakeholders, entre outros. “O Storytelling é um conjunto de técnicas de comunicação que existe, basicamente, desde que a linguagem foi criada, entre 30 e 100 mil anos atrás. Essas técnicas consistem em organizar fatos em uma determinada sequência que, por motivos que passam pela psicologia, neurologia e até antropologia, tem o poder de dar novos significados a uma informação, além de, aumentar em 20 vezes a chance de ela ser guardada por alguém”, afirma Bruno Scartozzoni, professor de Storytelling do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM.
Dentro do ambiente organizacional, o Storytelling pode ser usado em diferentes situações, como:

  • Gestão do conhecimento – identificação e troca de conhecimento.
    Bruno Scartozzoni
    Bruno Scartozzoni
  • Cultura organizacional – explorar valores, criar uma visão coletiva e inspirar pessoas em direção à mudança quando necessário.
  • Comunicação – equilibrar informação quantitativa com evidência qualitativa, baseando-se em exemplos reais.
  • Equipes, networks e comunidades – criar conexões fortes, integrar novos profissionais no ambiente e compartilhar propósitos em comum.
  • Gestão do risco – fazer a gestão da incerteza e desenvolver uma visão antecipada entre os profissionais.

Como construir uma boa história?
Um bom contador de histórias precisa ter em mente, primeiramente, que sua história deve transmitir credibilidade, veracidade e credibilidade. Para isso, torna-se necessário fazer três questionamentos, que são: quem conta a história, por qual motivo e para quem. Para Santille, uma boa história sempre apresenta elementos de aprendizagem, pois, gera conexão emocional, estimula outras perspectivas, cria conhecimento subtendido e comunica valores.
O Storytelling, quando marcado por incidentes e momentos que estimulam reflexão, promovem transformação e mudança. Embora não exista uma única forma de contar uma história, há direcionamentos que podem ajudar, seguem dicas de Alexandre Santille:

Selecione uma história
De que tipo é a história? Autobiográfica, sobre alguém importante, uma situação familiar, uma pessoa famosa, um período da História, uma descoberta etc.
Mapeie a história
Como contá-la? Do presente para o passado, do passado para o presente, um período específico. É preciso identificar os elementos-chave e organizá-los em começo, meio e fim.
Prenda a atenção do ouvinte e mantenha-a até o fim
É preciso encontrar o momento certo para contar a história. Algumas começam com uma pergunta, outras com uma estatística ou comentário. O importante é contar a história dentro de um contexto para fazer sentido à medida que os fatos se revelam.

Alexandre Santille
Alexandre Santille

Conte a história a partir de um ponto de vista diferente
Expor fatos não basta, é importante persuadir os outros para que vejam algo novo a partir de uma perspectiva diferente. Todos os elementos da história devem contribuir para isso.
Use uma linguagem viva
Ser claro, específico e usar exemplos ajuda o ouvinte a compreender a história e ativar a própria imaginação. Usar uma linguagem acessível e expressiva é a maneira mais segura de apresentar uma história.
Explore a emoção
Toda boa história precisa gerar conexão emocional entre quem conta e quem ouve. Palavras, imagens e sons ajudam a criar esse vínculo. Além disso, é importante observar como a história é recebida pelas pessoas durante a apresentação.
Use a própria voz
Uma boa história é contada por alguém que está envolvido, não por uma voz imparcial ou distante. Autenticidade e credibilidade são essenciais.
Seja breve
O importante é contar uma história de que as pessoas irão se lembrar. Para criar o efeito desejado, é suficiente selecionar os fatos principais que podem despertar interesse e garantir um final atraente. Isso permite ainda que o ouvinte preencha as lacunas com sua imaginação e reflexão.
Mantenha um bom ritmo
Ritmo é o coração de todas as histórias.  Acontecimentos que não avançam podem aborrecer o ouvinte e desviar sua atenção. Se for muito rápido, há o risco de algumas pessoas ficarem para trás. Estabelecer o ritmo certo depende do tipo da história e das reações de quem está ouvindo.

Cases de sucesso com Storytelling


Estamos cercados por histórias interessantes diariamente e, com isso, não observamos que vivemos praticando e recebendo o Storytelling. Segundo Scartozzoni, o resultado é que o cérebro humano já está adaptado a pescar informações que estejam dentro de boas histórias. “Isso explica porque uma novela, um livro, um filme ou um seriado conseguem prender nossa atenção, às vezes, quase nos hipnotizar. Costumo dizer que é possível pagar pela presença física de uma pessoa em uma sala, mas não dá para comprar a atenção de ninguém”, explica o professor.
Na publicidade,por exemplo, é possível tanto usar essas técnicas nos formatos tradicionais, como os vídeos de 30 e 60

Cena de "Náufrago", com Tom Hanks
Cena de "Náufrago", com Tom Hanks

segundos, como se apropriar de novos formatos. “Um exemplo do primeiro caso é o famoso comercial da Valisére que explora a história de uma menina, a protagonista da história, que enfrenta os desafios do crescimento e encontra no sutiã um apoio importante para ganhar confiança”, conta Bruno. O segundo caso temos o filme Náufrago, que ao mesmo tempo é um filme com valor artístico, mas também é uma propaganda de 2 horas de marcas como Fedex e Wilson.
“Pensando em comunicação interna posso citar um case do qual participei, que consistiu em transformar mais de 1.200 slides de pesquisas em uma peça de teatro. A empresa precisava passar esse conteúdo para a alta gerência da empresa, em uma convenção interna, mas eles desconfiavam que simplesmente passassem os slides seria um tiro no pé”, exemplifica Scartozzoni. Para o caso Bruno pegou o essencial e transformou em algo mais interessante, uma história encenada que poderia estar em qualquer teatro, cobrando ingresso do público.

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