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06/05/2013 - BIC ou Mont Blanc?

Autor: Sady Bordin

Colunista: Sady BordinSe você fosse uma marca de caneta, acredita que sua marca estaria mais para uma BIC ou para uma Mont Blanc em termos de valor? As duas realizam exatamente a mesma função, mas a primeira custa R$ 1,00 enquanto a segunda não sai por menos de R$ 800,00. Uau, que diferença!

O escritor, padre e médico francês François Rabelais (1494-1553) disse, com muita propriedade, que “o homem vale tanto quanto o valor que dá a si próprio”.

Pois é, profissionais com formação e competência idênticas podem valer tanto uma BIC quanto uma Mont Blanc dependendo de onde trabalham, como trabalham e para quem trabalham. Um médico que atende pelo SUS vai receber meros R$ 30,00 por uma consulta, ao passo que seu colega que atende em seu consultório particular e não trabalha com convênios receberá 10 vezes mais pelo mesmo trabalho. Ou seja: ambos realizaram a mesma função, mas receberam valores absurdamente diferentes. Apesar do valor do trabalho de ambos ser o mesmo em função de sua formação e competência, a precificação do trabalho de ambos estipulada pelo mercado é diametralmente oposta. Mas por que diabos isso ocorre?

Esse fato ocorre em todas as áreas do conhecimento humano e em qualquer canto do mundo. Se sua marca for uma BIC da vida, você vai receber o equivalente ao preço de uma BIC. Já se sua marca for uma sofisticada e internacionalmente conceituada Mont Blanc, você vai receber pelo valor de uma Mont Blanc. Deu para perceber o porquê é tão importante investir na criação de uma marca que agregue valor ao trabalho? Então, você faz ideia de qual é o real valor da sua “marca”?

Mesmo que você tenha feito tudo certo até agora – investiu na sua saúde (produto), no seu visual (embalagem), no seu currículo (conteúdo) e tornou sua “marca” admirada, o reconhecimento de sua competência não virá de um dia para o outro. Ele virá, pode ter certeza disso, mas não antes de sua “marca” virar grife no mercado. Você vai precisar de muita persistência para tornar sua “marca” uma referência em sua área de atuação. Em média um profissional leva 10 anos para ficar conhecido no mercado. Mas, pensando bem, até que 10 anos não é muito tempo para uma carreira.

Benjamim Franklin (1706-1790), que desempenhou várias atividades ao longo da vida (jornalista, editor, escritor, cientista, diplomata, inventor), mas que ficou internacionalmente conhecido por causa de seu famoso experimento com a pipa em primeiro de outubro de 1752, para provar que um trovão tinha eletricidade, cunhou uma ótima frase para a questão do tempo para se atingir resultados: “aquele que tiver paciência terá o que deseja”.

O sucesso profissional é uma espécie de bônus concedido àqueles que, além de acreditarem no seu potencial e talento, tiveram persistência e paciência para merecê-lo.

Mel Gibson fez sua estreia nas telas em 1977 (Summer City), recebendo apenas 400 dólares pelo trabalho. Vinte e três anos após, o mesmo Gibson faturou vinte e cinco milhões de dólares para fazer The Patriot.

O ex-presidente Lula precisou esperar treze anos e concorrer a quatro eleições – em 1989, contra Collor de Mello, em 1994, contra FHC, em 1998, contra FHC novamente e, finalmente, em 2002, contra José Serra – até conseguir consagrar-se presidente do Brasil.

A famosa romancista britânica Agatha Christie (1890-1976) teve que enfrentar a rejeição de seis editoras e esperar por cinco longos anos até ver sua primeira obra, escrita em 1916, ser publicada. Mas o sucesso veio apenas dez anos após, com a publicação do The Murder of Roger Ackroyd.

Quase todas as pessoas de sucesso que conhecemos levaram anos trabalhando e persistindo até se consagrarem. Por isso, não se apresse! Faça a lição de casa corretamente que o valor de sua “marca” – mesmo que demore anos – vai ser o de uma Mont Blanc.

De que vale ter um mestrado, ser fluente num idioma estrangeiro e ganhar o salário equivalente ao de um profissional que só tem o segundo grau e que não fala nada além do português, por exemplo?  Se você é uma Mont Blanc em sua área, então trate sua “marca” como tal.

Só depende de você trabalhar a valorização de sua “marca”, sempre de forma ética, sutil, elegante e profissional.

Obrigado pelo privilégio de sua leitura.

Grande Abraço,

Sady Bordin, 49 anos, é piloto de linha aérea e autor da obra “Marketing Pessoal – 100 dicas para valorizar a sua imagem.”, Editora Record.

sady@bordin.net

 

 

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