Sistema solar, galáxias, estrelas, Via Láctea, Saturno, Mercúrio, Marte, Buracos Negros, vida fora da Terra…esses e outros temas instigam a curiosidade humana. E se você tem interesse por esses assuntos, continue lendo!
No post de hoje, vamos até a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro para entender mais sobre o trabalho do profissional de astronomia. Para isso, contamos com a ajuda de Thiago Signorini Gonçalves, 37 anos, bacharel em Física, mestre em Astronomia e PHD em Astrofísica.
Catho Educação: Quando e como surgiu o interesse pela astronomia?
Thiago Gonçalves: De certa forma sempre gostei de Astronomia, mas comecei a me envolver mais na faculdade durante a graduação em Física. Eu queria tentar algo diferente e busquei uma iniciação científica na área da Astronomia.
CE: Como você define o trabalho de um astrônomo?
TG: Durante a faculdade estudamos Física, Matemática e Programação. Os astrônomos coletam dados em telescópios e os analisam nos computadores. Na parte teórica, criam modelos matemáticos e simulam fenômenos em computador. O objetivo principal do astrônomo é entender o funcionamento do universo, incluindo estrelas, galáxias e planetas.
CE: Qual a importância da astronomia para a nossa sociedade?
TG: Podemos pensar de duas formas: por um lado, investimos em tecnologia que depois é revertida para a sociedade. Por exemplo, o GPS e a câmera digital devem muito à astronomia; por outro, podemos pensar também que crescemos como humanos quando compreendemos o mundo à nossa volta. Como podemos definir a importância do Einstein? Fica a pergunta.
CE: Qual é a pergunta que todos te fazem em relação ao surgimento do universo? Ou da Astronomia em geral?
TG: A astronomia gera muito interesse. Sempre me perguntam sobre o Big Bang, buracos negros, vida em outros planetas. É uma curiosidade inerente ao ser humano e a astronomia tenta responder essas perguntas de forma clara para a sociedade.
CE: Quais são as principais áreas de atuação?
TG: Pode variar muito. De uma forma geral, tudo que está fora da Terra é do domínio da Astronomia. Podem ser os planetas no Sistema Solar ou as galáxias do outro lado do Universo.
CE: E hoje como está o mercado de trabalho por aqui?
TG: Atualmente o mercado de trabalho é relativamente restrito. Para trabalhar com astronomia no Brasil, você deve estar em uma universidade ou instituto de pesquisa. Mas muitos astrônomos estão seguindo um caminho diferente, como cientistas de dados em empresas, graças à experiência adquirida em matemática e programação.
CE: E para se tornar um astrônomo, qual caminho o estudante deve seguir?
TG: Quase todos os astrônomos se formam em Física ou Astronomia. Mas temos estudantes que vêm de outras áreas, como Engenharia, Química ou Matemática. Todos devem fazer um doutorado na área antes de conseguir um emprego permanente.
CE: E como estão as universidades brasileiras em relação a graduação e especialização?
TG: Ainda há muitas oportunidades nas universidades para quem quiser seguir a carreira de astrônomo, incluindo bolsas de mestrado e doutorado em diversas instituições no país.
CE: E as disciplinas do curso, qual você acredita que foi a mais difícil?
TG: As disciplinas de Física e Matemática costumam ser os maiores desafios. É importante lembrar que estudamos Cálculo Avançado, Mecânica Quântica, Relatividade Geral, Estatística, entre outras disciplinas.
CE: E qual disciplina ou conteúdo você acredita que foi fundamental para sua formação?
TG: Acredito que todas elas sejam importantes. Uma característica fundamental da astronomia é que reúne diversas áreas da Física. Para entender como estrelas se formam, precisamos conhecer ao mesmo tempo Mecânica Clássica, Mecânica Quântica, Eletromagnetismo e Termodinâmica.
CE: E o que você espera do futuro da astronomia?
TG: Observar sempre mais longe. Os novos telescópios e novos observatórios nos permitem sempre ver mais detalhes sobre os astros. Quando o telescópio espacial James Webb for lançado, por exemplo, aprenderemos muito sobre as primeiras galáxias do universo!
CE: Para finalizar o nosso bate papo, qual seu sonho?
TG: Meu sonho é que o trabalho do cientista tenha o reconhecimento que merece no país. Que possamos receber investimentos para fazer as pesquisas no nível dos Estados Unidos e Europa, e que isso atraia novos talentos que desejem seguir a mesma carreira.
E aí você gostou de saber mais sobre a astronomia? Contra pra gente nos comentários!




