Como cuidar de sua carreira?

Camila Santos

Alexandre CamposConversamos com Alexandre Campos, Executivo de RH e Coach em Carreiras, com vasta experiência de mercado.

Com passagens como diretor de Recursos Humanos do Grupo Estado, e atuações em grandes empresas como Editora Abril, Grupo Telefonica  e Whirlpool, Alexandre traz uma reflexão da melhor forma de gerir a trajetória profissional e dá dicas sobre os principais passos para planejamento e ter uma carreira bem sucedida.

Qual o critério de sucesso? Como encaminhar a profissão com coerência? É possível planejar o histórico profissional de forma perfeita? Essas são questões que foram respondidas pelo especialista.

Ótima Leitura!

Existe um caminho ideal na carreira?

Não acredito que isso exista, no sentido do reconhecimento externo. Acho que o ideal é quando o profissional segue suas crenças, seus valores e seus desejos em determinado momento de sua vida.

A carreira ideal está muito associada a um estereótipo do que é uma pessoa bem sucedida. Uma boa trajetória está ligada à coerência e ao alinhamento daquilo que acredita ser bom. É muito complicado seguir padrões como “ter muito dinheiro”, “ser promovido rapidamente”, pois não necessariamente é o ideal.

Outro ponto é o cuidado que devemos ter de não balizar nossos objetivos na expectativa do mercado de trabalho. Claro que temos que levar isso em conta, mas também é preciso desconfiar um pouco de alguns padrões e discursos prontos daquilo que, aparentemente, é algo bom para nossas vidas.

Uma atividade profissional pode ter altos e baixos. Por que ela não pode ser considerada linear?

Quando analisamos uma carreira, temos que estar atentos a diversos pontos, e não só ao próximo passo a ser dado. Temos que avaliar os diferentes papéis que vivemos – profissional, familiar, pessoal e emocional – e quando se almeja um progresso na empresa em que atuamos, apenas contextualizando o lado da profissão, tudo se limita.

E qual o nível de influência das organizações na tomada de decisão da carreira das pessoas?

Varia muito. Das empresas que já trabalhei, depende da estrutura que a companhia oferece aos coloboradores. As instituições têm diferentes formas de entender e organizar a carreira dos funcionários. Evito falar deste aspecto, pois no mercado há muitas variações, como planos de aceleração e a chamada “escadinha”, que segue determinado progresso regular dentro de algumas áreas.

Acho mais importante falar da carreira na perspectiva do sujeito – ele olhando o que quer e o que acredita que faz sentido para sua vida – do que simplesmente enxergar pela visão da empresa.

Como crises e obstáculos profissionais podem influenciar positivamente na carreira?

Sempre que acontecem fenômenos desta natureza, deve haver um momento de reflexão. É importante fazer uma reavaliação do que está fazendo e do que acredita. Se a crise surge em situações como transição, falta de expectativa de crescimento dentro da organização, acredito que é o momento da pessoa parar e pensar no que está buscando. Uma análise é essencial nestas situações e também é muito importante para “ganhar fôlego”. Vejo a crise como um período importante neste sentido, pois a pessoa perde seu alicerce, mas revê questões importantes e ganha força para que estas turbulências não se repitam.

O profissional pode identificar suas melhores competências desde o início da carreira?

Creio que todos nós devemos buscar nos conhecer melhor. Quanto mais a gente se conhece, melhor são as decisões que tomamos. É importante sabermos quais são nossos aspectos motivadores e fazer uma análise.

Agora, quando falamos de pessoas muito jovens, é muito mais complicado. Estamos falando de um rapaz ou uma moça de 17 ou 18 anos que tem que tomar uma decisão madura sobre qual faculdade vai fazer – o que, teoricamente, irá definir seu futuro.

Não existe uma receita para isso, mas a parte mais importante é não ficar preso ao percurso que fez na universidade. Para quem está começando, um bom caminho é fazer uma avaliação mais ampla do assunto e conversar com gente que já está no mercado até para separar fantasia de realidade.

De que forma a competitividade cada vez mais acirrada influencia na carreira dos profissionais?

O mercado mais competitivo é mais saudável porque ele amplia as oportunidades. Montar uma rede de trabalho, o chamado networking, é um ponto importante. Tentar entender como o mercado está funcionando em determinado momento também é uma dica, pois a pessoa pode dar um passo mais assertivo em relação a um novo emprego ou oportunidade.

Muito se fala hoje nas redes sociais. Qual o papel do networking virtual no futuro de um profissional?

Acredito muito nas mídias sociais porque têm vantagens, se bem utilizadas. Se a pessoa se perde em bate-papos, não gera uma efetiva produção. Essas redes ampliam ainda mais as relações, pois não limita fisicamente os contatos.

Estamos vivendo um período onde há pouco diálogo. Vemos muita exposição do que as pessoas fazem. Fala-se de currículo, mas não debatemos questões pertinentes à relação profissional, à carreira e às impossibilidades e dificuldades de cada atividade. Estes instrumentos virtuais ajudam nesta troca de experiências.

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