Entrevista de emprego: dicas de especialistas

Especialistas da Catho, Loggi, Carrefour e Caccuri Advisors respondem dúvidas sobre entrevistas de emprego.

A convite do Trampapo, podcast produzido pela Catho que debate diversos assuntos sobre o mercado de trabalho e empregabilidade, os especialistas que participaram do episódio 9, sobre entrevista de emprego, responderam algumas perguntas sobre esse tema para ajudar os leitores do Carreira & Sucesso a terem um bom desempenho nesta etapa da seleção.

Quer ouvir o episódio completo do Trampapo sobre entrevista de emprego? Acesse gratuitamente clicando aqui ou pesquise “Trampapo” nos aplicativos de podcast.

O episódio contou com participação da Bianca Machado, Gerente Sênior B2B na Catho; Fernanda Lelli, Coordenadora de Tech Recruting na Loggi; Gilberto Sobrinho, Diretor associado na Caccuri Advisors – Latin America Talent Services e Silvio Xavier, Gerente de Recursos Humanos no Carrefour.

Confira abaixo as dicas que eles deram sobre entrevista de emprego:

Bianca Machado, Gerente Sênior B2B na Catho

De que maneira a comunicação não verbal pode ser determinante para a desclassificação de um candidato na entrevista? 

“O corpo fala e seu interlocutor interpreta. Mandar mensagens positivas pela comunicação não verbal é fator decisório no sucesso de uma entrevista para um emprego. Alguns exemplos de comunicação não verbal:
Aperto de mão: firme na medida certa e breve para que o recrutador receba a primeira mensagem positiva de segurança.
Contato visual: constante mas não excessivo, denota auto confiança.
Gestos sem controle: monitore seus gestos para não demonstrar insegurança.
Dress Code: estude qual o traje apropriado de acordo com a cultura da empresa em que você sonha trabalhar para estar adequado.
Pontualidade: chegar no horário preciso (nem muito antes e nem atrasado), manda uma mensagem de comprometimento ao recrutador.”

Como profissionais que sofrem de ansiedade e timidez podem lidar com esse momento para não passar sinais inadequados?

“A preparação prévia pode ajudar muito para aqueles que apresentam ansiedade e timidez. Estudar sobre a empresa, treinar a entrevista com alguém da sua confiança, farão com que o candidato se sinta seguro e consequentemente menos tímido e ansioso na hora da entrevista.
Importante não ter pressa em responder, tampouco tente parecer extrovertido ou fingir calma. O recrutador é treinado para te testar e avaliar todos os seus pontos e um dos pontos mais fortes é a autenticidade.”

Quais as habilidades e características mais valorizadas em profissionais da área de negócios em um processo de seleção?

“As áreas de negócio geralmente carregam um stress inerente à área, como superação de metas e competitividade. O “soft skill” ganhou mais força que o “hard skill” nos últimos tempos e a cadeira de negócio exige:
Coachable, ou seja, alguém que tem a capacidade de ser treinada. Absorve conteúdo de forma eficaz, aceita e transforma o feedback em prática no dia dia.
Curiosidade: o profissional curioso tende a buscar informações e conteúdos para inovar em seu discurso e metodologias.
Resistência à frustração ou resiliência: o profissional persistente e engajado mesmo em tempos de crise.
– Ter o propósito de vida alinhado ao propósito da empresa é um forte ingrediente para uma relação de muito sucesso.
– Saber construir relacionamentos a longo prazo.
Demonstrar essas características através de comunicação verbal bem elaborada, planejamento e principalmente, prepare cases de sucesso e insucesso ao longo da sua carreira para contar ao recrutador. Estude técnicas de storytelling para construir com maestria.”

Fernanda Lelli – Coordenadora de Tech Recruting na Loggi

Existem recomendações específicas para entrevistas de seleção feitas de forma remota? Quais dicas você daria aos candidatos que passarem por esse modelo de conversa?

“Para entrevistas remotas temos algumas recomendações:
– Entre na call com alguns minutos de antecedência para checar se sua câmera e microfone estão funcionando.
– Evite ao máximo atrasar: especialmente por ser remoto, atrasos são dificilmente justificáveis.
– Mesmo sendo uma conversa remota, a linguagem corporal ainda é importante para causar uma boa impressão: escolha um local iluminado, mantenha uma boa postura, que demonstre seu interesse, e busque ter tranquilidade para ser você mesma(o) e mostrar o seu melhor lado.
– Evite distrações durante a entrevista. Alguns candidatos, ao realizar uma entrevista remota, abrem outras abas em seu computador, ou até mesmo andam de um lugar para outro enquanto falam com o entrevistador. Isso pode soar como desinteresse, então o melhor é evitar e buscar estar 100% presente para a conversa.”

Quando um recrutador se depara com profissionais tecnicamente compatíveis para preencher uma vaga, quais critérios costumam desempatar a disputa e favorecer um dos candidatos?

“Quando dois candidatos são muito parecidos no aspecto técnico e de experiência profissional, o ponto de desempate será o fit cultural. Como já é bem sabido, “empresas contratam por competências técnicas e demitem pelo comportamento”. Por isso, o lado comportamental de um candidato e sua compatibilidade com a cultura e o ambiente da empresa, terão grande peso no momento da decisão. Na Loggi, falamos de culture add: avaliamos como uma pessoa agrega, ou traz adição, à nossa cultura.”

O que um profissional de tecnologia deve esperar de um processo seletivo? É comum etapas que avaliem na prática seus conhecimentos?

“Com a grande demanda do mercado por profissionais de tecnologia, como desenvolvedores e analistas de dados, muitas empresas têm buscado inovar em seus processos seletivos para esse público, de forma a atrair mais pessoas a fortalecer suas marcas empregadoras. No entanto, alguns pontos serão comuns para a maioria dos processos:

  • Checagem da experiência: Quando mais sênior a vaga, maior será a experiência requerida, então todos os processos terão ao menos uma etapa em que o candidato precisará contar sobre sua experiência. Para candidatos técnicos, essa é uma etapa onde os entrevistadores desejarão ouvir sobre resultados alcançados e desafios técnico que o candidato já enfrentou, além das ferramentas e tecnologias com as quais tem mais experiência.
  • Avaliação prática: Há empresas que aplicam testes online antes mesmo das entrevistas, há outras que aplicam testes durante as entrevistas e há aquelas que aplicam o white board: é lançado um desafio e o candidato deve tentar respondê-lo ao vivo, escrevendo sua solução em uma lousa (daí o nome) ou no computador, mesmo. São raras as empresas que não usam nenhum desses recursos para avaliar o conhecimento técnico dos candidatos, então é bom estar pronto para isso. Na Loggi, avaliamos principalmente fundamentos de computação, com testes que envolvem lógica computacional, algoritmos, estruturas de dados e code reviews.
  • Fit cultural: Por mais que a vaga seja técnica, as empresas sempre buscam trazer pessoas que estejam alinhadas com seus valores e com sua cultura. Por isso, é comum que haja, no processo, uma etapa onde será avaliado o fit cultural. Na Loggi, esta etapa se chama Entrevista Cross, e é feita por um entrevistador que não seja de recrutamento nem da área contratante, ou seja, alguém que esteja neutro ao processo, para avaliar como o candidato agrega à nossa cultura.”

Gilberto Sobrinho, Diretor na Caccuri Advisors

Quais são os “clichês” dos processos seletivos que os candidatos à cargos executivos devem esperar e se preparar?

“Em geral, muitas perguntas são padronizadas mesmo. ‘Fale-me sobre sua carreira’, ‘Quais os seus pontos fortes e pontos fracos’, ‘Conte-me o seu principal desafio e como o resolveu’, ‘Fale-me de um fracasso e o que aprendeu com isso’. De perguntas padronizadas, são sempre esperadas respostas padrões que muitas vezes não agregam muito na entrevista. Espera-se de um bom entrevistador, que ele tenha se preparado para a entrevista. Lendo atentamente o CV e fazendo perguntas que esclareçam pontos que não ficaram claros no CV e também perguntas que alinhem a experiência com o que é requerido para a posição.”

Considerando que os profissionais executivos assumem difíceis desafios em seus cargos, como eles podem responder sobre os insucessos de suas carreiras sem manchar sua imagem?

“Todos estamos sujeitos a insucessos (em geral eles acontecem mais que os sucessos). Se a pessoa não consegue reportar um insucesso é um sinal de que não fez muitas tentativas, não saiu do comum. Um insucesso sempre tem um contexto. É importante é o candidato poder contar o contexto, as ações que tomou , o que deu errado, o que fez para mitigar e o resultado final, porém o mais importante é poder contar o que aprendeu com o insucesso, para que ele não ocorra mais. Fazendo isso bem feito, o profissional pode transformar um insucesso numa ótima oportunidade de alavancar competências de resiliência, pensamento analítico e tomada de ações.”

O que um entrevistador espera ouvir quando pergunta sobre as maiores felicidades da carreira de um profissional executivo? O candidato deve priorizar respostas emocionais ou com resultados quantificados?

“Sempre que temos bons resultados em nossas ações e projetos, gostamos de ressaltá-los. Cada sucesso é sempre uma oportunidade única, raramente os projetos ou problemas são idênticos e obviamente as ações não o serão também. Gosto muito de ouvir do candidato, qual era o problema, o que ele fez e o resultado obtido, nem de forma muito mecânica, mas também nem de forma muito emocional. Um bom equilíbrio entre a razão e a emoção demonstram a capacidade do candidato em lidar de forma situacional com elas.  O importante é sempre mostrar dados concretos com sinceridade e paixão em equilíbrio.”

Silvio Xavier, Gerente de RH no Carrefour

Como entrevistador, o que você mais valoriza em um candidato e o faz decidir contratá-lo?

“São alguns fatores que levam um recrutador a decidir por um candidato, mas transparência nas respostas, interesse genuíno pela vaga, match entre os valores e propósito da empresa e candidato são essenciais.”

Como os candidatos podem se diferenciar em processos seletivos com elevados números de concorrentes como existem em empresas de grande porte como o Carrefour?

“Entender a posição para a qual você está se candidatando é essencial. Diante disso, participar do processo seletivo com atenção (ler e ouvir os questionamentos com atenção para então responder) energia, transparência, deixando evidente o porque você é o candidato a ser contratado.”

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